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Leandro Rafael Perez

Leandro Rafael Perez nasceu em 1987, cresceu na divisa com Diadema, SP, e estudou linguística na USP. Não trabalha na área. Tem a altura da Carmem Miranda com chapéu-coco. Tem um livro perdido na internet, Pálpebras Amareladas (2008), e a Editora Patuá, além do atual, publicou dele mais dois livros: lança além do real só (2011) e turnê a meio mastro (2014). Um poema seu consta na terceira edição impressa da revista Modo de Usar & Co. e uma série inédita foi produzida para a saudosa revista Geni.



 

Contato:

Skook de Algarobas Urbanas



Conheça 5 poemas do livro Pau mole, de Leandro Rafael Perez:




pensa nas estruturas de carbono
que do seu corpo continuarão
a viver, a sustentar

pensa na cor do sangue
pequenininho

a morte é um tangram
vermelho


***


Deus croupier de folga
não se faz de rogado ao sorrir a banguela
se espraia pelo céu da boca leporino
alcança o crânio acéfalo jamais natimorto:

imita a paisagem externa, sua única vaidade



***



caboto que é caboto
prova na terra a proximidade do rio.

Teme,
mas teme o que não existe.

um marginal a se guiar por fronteiras,

horizontes viciados pelo que não está.

Teme,
mas leva nos braços um buquê de músculos.

O grotesco de um náufrago de lagoa,
mas nunca mais a graça de um Baudelaire.




***


estas aulas de como
manobrar o desvio

esfolam a mão
& tentam criar a reta

míope
viado
desempregado
irrisório

em vão.


***


eu
rastejo pelo único
mármore feio do mundo
de apoio os cotovelos e joelhos

me arremessam moedas vencidas
(aqui não chegam restos)

"aranha", me elogiam
não ganharão minha simpatia
pintaram de azul todas as grades
e gozam nuvens

empino a bunda intacta
dos que não precisam trabalhar
é preciso que se deitem

(quase não babo mais)

tenho uma joenete na bochecha esquerda,
a outra mantenho tão lisa quanto a bunda
te esperando fazer festinha

o mundo é cônjuge de ninguém:
você sabe onde me encontrar

 

 


 


Conheça 04 poemas do livro Turnê a meio mastro, de Leandro Rafael Perez:


IV.



casto aroma
de roupagem

narinas desenhadas
para as curvas da nudez

um mindinho contra a coxa,
todos os encaixes possíveis

para um par nuca-pescoço,
anzol no meio da ração.

***

 

1




um gentílico pros que migram
ainda menos doce que cais

sou o mastro de fitas
concretado em solo infértil

preciso de uma palavra
que defina meu medo,

minha paixão pelas pessoas
fortes que não sou e conheço,

não estão aqui,

meus amigos me mandam
calendários, editais,
provas de suor

sirvo de referência aos perdidos,
estou na rota de colisão dos efêmeros

não sei o que pretende o carteiro
quando me conta sobre Cérbero.

***

 

justo à centopeia mais ímpar coube

refazer o caminho da cadela solta

 

mancar o rastro do mamífero-liberdade

parelha humana na facilidade das quadras

 

nenhum artista riscará de giz o seu caminho

e talvez morra se ouvir de perto a achada.

 

***

 



Me cerco de mulheres fortes e homens
tristes, me dizem que sou alegre

que estou fazendo merda com a minha vida,

fosse eu mais dono de mim e passava
todos os dias cantando a capella pra vocês.

***

 

Conheça 03 poemas o livro Lança além do real só, de Leandro Rafael Perez

 

Para uma de minhas avós


Conviver é insuportável,
mas ver morrer é impossível:

a memória mais suave virá
destes resmungos sobre doces e dores,
uma versão espiralada da verdade,
um móbile constitutivo de amor
você me dizendo que não chora mais
nem pelos seus olhos que já foram cegos
nem pelo seu marido morto há tempo
e eu lembrando de você chorando,
você me dizendo que não chora mais
e eu lembrando de você dizendo:

tudo ecoa e sempre revela sua fonte
nem que seja esta voz a se repetir até a foz
e se não digo que alcança inundando o mar
é porque sempre esteve lá, move maresia.

 

***


POÉTICA II


O espelho me conta mais uma vez a lenda
deste duplo círculo de cílios vivos, –
mas eu reconheço a morte na ponta de um dedo
quando me deparo com tamanha falta de agulha
negra xenófoba temerária frígida primeiro-batalhão
contra a sedução tátil de qualquer imagem vista,
não este pequeno projeto de sombra platelminta
que faz do espelho uma sala de espelhos alcova.

 

***


(sem título)

Se eu soubesse narrar o desalento,
o que descrevo do desamor
seria menos piedoso,
talvez até mais casto,
não parece ser o caso:
meu dedos rangem
maquinaria velha
tão cedo, meu deus,
mas não deixo de dizer, murmúrio:
a areia do erótico é ferrugem prévia.

 

***

 

 


 

 

Livro: Pau mole

Autor: Leandro Rafael Perez

Gênero: Poesia

Número de Páginas: 150

Formato: 14x21

Preço: R$ 38,00 + frete

 

 

 

 


 

Livro: Turnê a meio mastro

Autor: Leandro Rafael Perez

Gênero: Poesia

Número de Páginas: 80

Formato: 21x14

Preço: R$ 30,00 + frete

 



 

Livro: Lança além do real só

Autor: Leandro Rafael Perez

Gênero: Poesia

ISBN: 978-85-64308-13-8

Número de Páginas: 80

Formato: 12x20

Preço: R$ 26,00 + frete