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Natália Xavier
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NATÁLIA XAVIER

 

Natália Xavier, nascida em 1991 em São Paulo, é raiz-nordeste. O pai, baiano. A mãe, pernambucana. [o que pulsa no sangue é importante!]
Formou-se pedagoga pelo Centro Universitário Salesiano de São Paulo [Unisal] e atriz pelo Teatro-escola Célia Helena. Estudou dramaturgia com Cássio Pires, Marici Salomão, Samir Yazbek, Alexandre Dal Farra, e César Augusto. Atualmente estuda a cultura popular e o corpo lúdico em relação com o teatro e com a mitologia brasileira.
É rascunho de pássaro, poeta, dramaturga, atriz, artista plástica, professora de música, de artes e de teatro para crianças e artista na Coletiva de arte feminista Vulva da Vovó.
Seu primeiro texto teatral ‘Os famintos’ foi publicado pela editora SESI na coletânea da 6ª turma do Núcleo de Dramaturgia SESI-British Council. Seu poema, ‘Elas têm’ ganhou o 3º lugar no 2º Festival de poesia da cidade de São Paulo.




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Conheça 5 poemas do livro Despropósitos em quatro atos, de Natália Xavier:




CINZAS NUVENS

 

a parede branca.
sob a segunda camada
de tinta:
cinzas nuvens
sob a primeira camada
de tinta:
precipitação pluviométrica
[conceituei para nos distanciarmos ainda mais da chuva]
uma terceira demão,
pintamos
escorre
a tinta
- a água -
rompe
o chão
coloniza
a gente sorri!
[mas logo pegamos o pano e limpamos a mancha]
pra não falar da chuva:
- a parede branca: foi pintada recentemente?



***




NOSSO PEQUENO RITUAL DE CHUVA
para Fernando Nitsch

 

Você não usava capa de chuva.
Nem eu.
Não precisava.

Sabíamos ser [defeitos sinceros] com naturalidade.

Você não se preocupava em sermos sempre tão molhados.
Nem eu.
Não precisava.

Sabíamos ser [destelhados] com naturalidade.

Você não quer ser só garoa.
Nem eu.
Não precisa.
A gente chove com naturalidade.



***



o filho segura com força e cuidado o braço da mãe. uma senhora por volta dos 60 anos. sob os seus pés a escada-rolante. bicho-papão. e é depois da terceira ou quarta tentativa que ela finalmente se firma e entra na escada que anda sozinha. olha pro lado. gargalha. era uma criança dentro da vida. –é que eu sou de Pernambuco, não to acostumada com essas coisas. diz, pro olhar curioso da moça que vê na cena a poesia da infância.

eu [a moça] imediatamente me recordo de situação parecida. a criança, por volta dos 3 anos. sob os seus pés uma ponte. aquelas de parquinho de escola que chacoalham até te derrubar. bicho-papão. – segura minha mão que eu vou com você. digo. e depois da segunda ou terceira tentativa ele finalmente se firma e vai. depois do parque, ofereço água. ele, numa espécie de silenciosa reciprocidade afetiva [daquela sem cobranças] percebe minha garrafa vazia. pega. coloca água. me entrega. diz. – enchi pra você.

gosto da vida assim.



***



FLOR DE PLÁSTICO

 

Quando vestida
toda razão
demitida de qualquer embriaguez
me desacho achando
que sei
alguma coisa sobre a roupa que visto
Flor de plástico exala sabedoria
[permaneça sempre com os órgãos todos nos seus lugares! Por favor: Nada de luares suor despetalamentos amores]
Acontece que a moça
com a taça de vinho passeando pelas
avenidas do corpo sussurra
coisas descabidas ao pé
do meu ouvido
Já despetalada
grita:
[moça sabida]
Em caso de incêndio
morra queimada!
PS: A moça com a taça de vinho passeando pelas avenidas do corpo sempre tem razão

 

 


 

 

Livro: Despopósitos em quatro atos

Autor: Natália Xavier

Gênero: Poesia

Número de Páginas: 100

Formato: 14x21

Preço: R$ 38,00 + frete