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Luciane Lopes

LUCIANE LOPES

 

 

Luciane Lopes é poeta e letrista, nascida em Mirassol, interior de São Paulo, 46. Formada em publicidade e propaganda
Intimista, simbiótica, sinestésica, raramente passa um dia sem escrever algum  poema e os minimalistas ganharam força e espaço na sua escrita. Desde menina escrevia como se os dedos tivessem vontade própria e isso se tornou mais intenso, quando perdeu seu pai em 2006. A forma trágica da morte fez com que ela se tornasse uma "amoladora" de palavras. A poesia veio de forma visceral.Passou a utilizar sítios virtuais, como o Recanto da Letras e se surpreendeu com a receptividade dos leitores e o acolhimento dos escritores. Em 2008 ingressou no Clube Caiubi de Compositores online e colocou diversas poesias para apreciação dos compositores. A resposta foi imediata e feliz. Mais de 100 canções foram compostas neste período. Diversas foram classificadas nos principais Festivais do Brasil. Destaque para canção "Indizível" composta em parceria com a cantora Amanda Barros e premiada no ano de 2009 em primeiro lugar no 5 FEM da cidade de São José do Rio Preto.
Ano a ano dedicou-se a aprimorar sua poesia e também a se descobrir através dela e o resultado desta trajetória está presente em seu primeiro livro publicado pela Editora Patuá.



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Conheça 5 poemas do livro O miolo do mundo é macio, de Luciane Lopes:





Corte Inaugural

 

Dedico todo o meu dia cheio,
lembranças de solo árido.
Dedico a minha garganta seca,
a falta de espaço nos meus chinelos,
os pés inchados,
os olhos por gritar essa
água que hoje eu deixo inundar.
Dedico o meu nariz pequeno que
cabe na tua boca,
meus seios doloridos pelo período.
Dedico meu estômago frágil,
minhas unhas curtas de hoje,
meu baço,
meu fígado, meu cansaço.
Dedico meu coração azulado,
minhas córneas,
minhas cócegas
e os meus estragos.


***



Relicário

 

Me guarde feito xícara de chá
uma memória urgente de beber
Me guarde feito pátria,
bandeira que se beija,
retrato, entardecer.
Me guarde anonimato de saudade,
caixa de sapato, pelúcia, algum dever.
Me guarde feito o tempo dos teus anos
discos já riscados,
diploma, anoitecer.
Me guarde na soltura do teu corpo
viagem sem notícia
caderno de escrever
Me guarde feito roupa batizada,
cicatriz de alguma culpa que se
beija pra vencer.



***


Cantiga de ninar a vida

 

E depois vieram
os filhos
escondidos na
mobília
as camisas cheirosas de domingo
a cama macia no
centro do mundo
[O miolo do mundo é macio]
E depois vieram os
que têm vertigem
e a coragem do
acúmulo.
As mobílias
reverberam alguns
sonhos
[as gavetas são impiedosas]
mas os filhos sempre
pedem algum doce
e uma história pra dormir...
As covardias sim
vão crescer valentes
[ignorantes sobre a dura
analgesia].

 

***

 

Causa motriz

 

Bobagem justificar
me afoguei
porque quis
Me deram um mar
na entrada do corpo
e tinha lua e fogueira
Eu bebi
Só isso.



***



Necropsia

 

A pessoa morre
nas horas mais absurdas.
Antes de marinar a carne,
de cheirar as flores,
de trocar de roupa.
A pessoa morre
sem avisar seus amigos
e seus amores.

 

 


 

 

Livro: O miolo do mundo é macio

Autor: Luciane Lopes

Gênero: Poesia

Número de Páginas: 100

Formato: 14x21

Preço: R$ 38,00 + frete