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Gabriela Sobral

GABRIELA SOBRAL

 

 

 

Gabriela Sobral é escritora de infância, após muitos anos de pausa, foi revisitando esta fase que voltou a escrever. Formou-se em jornalismo em Brasília, onde morou por sete anos e despertada pelo trânsito transpôs isso em linguagem. Expandindo-se, concluiu o mestrado em Preservação do Patrimônio Cultural pela Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Imergiu na literatura com a mediação do projeto Leia Mulheres na cidade de Belém e o projeto “Imaginárias - Um encontro entre narrativas imagéticas e literárias – com referência no trabalho de escritoras”, na Ilha do Marajó, contemplado pelo Prêmio de Experimentação, Pesquisa e Difusão Artística da Fundação Cultural do Pará. Atualmente, divide-se entre o trabalho com patrimônio cultural e a poesia.

 

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Conheça 5 poemas do livro Caranguejo, de Gabriela Sobral:







BICHO

 

Projeto de bicho
dizem: bicho do mato
porém, simpático
digo: bicho de lama
porém, afeita a banhos
As pedras não arranham
bicho de ferro
caia à vontade
porque: formada de dobradiças
lado e de lado
a volta é o próximo avanço
Que o tempo passe
porque: passarei dona dos lares
manipulável e reagente
O peito, ainda que orfandade,
virou mãe.



***



CORTINA

 

Os historiadores não saem na linha de pagamento
Precisa-se de arqueólogos
Função: esqueletar a besta
Ela é grande e sorri
Taxionomia: de bem
Os cadernos passam rápidos sobre ela
destroem sua materialidade
a carbonizam
O objetivo?
fumaça
Somos testemunhas de seus restos
eles falarão sobre nós
E a vida continua.



***



EM PROGRESSO I

 

Levanto a cidade amuralhada, basta um dia. Não necessito abrir mares, mas não me desfaço das pragas. Olhos infantis nominaram o endoesqueleto. Para o físico, doutor em alinhar pesos e fundamentar transcendências, deixei o mapeamento das cutículas resistentes, que mantêm a flexibilidade; elas alfabetizaram a infância na interpretação dos acidentes. Menina tábua, que, ainda só caroço, intuía: maternidade é ato de criação. Por isso, tantos filhos. Abandonei todos eles. A hora da pestana é o primeiro passo à improdutividade proposital, cedida às linhas que não me inscrevem, meus nomes não entrarão nos ainda atuais papéis passados. Deixo que usem minha linhagem, meus descendentes serão pobres. Nos relatos escuto-me, aliviada por continuar matéria viva.



***



PARA ELISE COWEN

 

Meteram-lhe a loucura pelos óculos angulares
foi o quebrador de lentes
que não suporta a boca dentada
que tira o lenço do bolso e seca as coxas molhadas
das que praticam invocação aos cochichos
das que elogiam a fumaça
recitando em diários ou por bocas terceiras
das trêmulas
que trocam toques de entendimento
Os cabelos cacheados
antes, suados
agora, tosados
Mechas deixando rastros
dando lugar aos círculos brancos
ao clarão veloz
O corpo não sente dor
sente controle
A boca entreaberta
nada diz
os cochichos, dessa vez, são ela
agora em roda perdida
guardada às seis da tarde
As páginas brancas
o pão molhado
os cabelos tão bem escovados
repousam
em nome do bem
e da tranquilidade dos homens.

***

 

CARANGUEJO


É dolorido criar defesas, andar para trás, recolher garras, e somar tudo isso ao estômago.

 


 

 

Livro: Caranguejo

Autor: Gabriela Sobral

Gênero: Poesia

Número de Páginas: 120

Formato: 14x21

Preço: R$ 38,00 + frete  (Livro em pré-venda, entrega após o lançamento. Amigos e leitores de todo o país que realizarem a compra antes do lançamento receberão o exemplar autografado após o evento. Imperdível!)