learnex

Cesar R. Pontual

CESAR R. PONTUAL

 

 

Cesar R. Pontual (Bruno César Martins Rodrigues) nasceu e reside em São Paulo-SP. É Mestre em Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP). Frequenta a Rua Augusta e arredores tanto para ir ao cinema como para dançar ao longo da madrugada com amig@s. Fuma compulsivamente ouvindo música. Lê compulsivamente ouvindo silêncio. Não sabe assobiar. Seu lema, mesmo que a contragosto, é “antes tarde do que cedo”. Tem dois corações.


Contatos:

 

 

 

 

 

 


Conheça o texto de apresentação / prefácio do livro Abra, de Cesar R. Pontual:

 

Uma Escritura Queeratômica
(Prefácio com muito jeito, para não silenciar nem a Autoria e nem a Obra)

 

A primeira impressão, caríssim@ leitor(@), que terá ao ler esse livro dirá respeito à forma: onde nós, acostumados a formatos tão compartimentalizados, incluiríamos a textualidade que se abre em Abra? Diário? Crônica? Poemas? Minha sugestão é a de que não o leias a partir dos horizontes estéticos prévios, mas, sim, que a premissa da liberdade seja tomada, inclusive, como “modelo” de leitura. Ora, penso que uma textualidade em que o corpo liberto e potente se escreve e inscreve continuamente não possa ser arrolada dentro de padrões que encapsulam e que, ao fim, pouco dizem sobre a obra que visam etiquetar. Se o gênero sexual e identitário da instância enunciadora deriva, não seria demais imaginar que o corpo-obra e a obra-corpo também oscilem constantemente, escondendo, escamoteando, mas também desnudando uma “poética travesti”, que se monta sobre o texto, fazendo com o conteúdo diverso deixa também a forma da obra imersa na mesma diversidade.
Noutras palavras, os corpos aqui enunciados não cabem em nenhum formato prévio intentando pela matéria literária, ensejando, portanto, uma forma derivante que corresponda às suas próprias derivas, desejos, liberdades... um corpo que insurge e se demarca no texto não poderá ser representado por um texto que termine em margens, mas, sim, que sobre elas transborde e a elas transgrida, de forma que a coerência entre forma e conteúdo possa ser traduzida numa escritura que traduza queerentemente a dinâmica entre corpo e representação, ficção textual, arte, esteticismo e realidade física e biológica: à deriva identitária corresponde a deriva do formato, à moda de Maiakovski!
[...]

 

(Emerson Inácio - USP)

 

***

 

Conheça trechos do livro Abra, de Cesar R. Pontual:

 

 

domingo, 20 de novembro

 

Abrir não apenas os livros: abrir armários, janelas, envelopes, quartos, portões, olhos, braços, pernas, bocas e o corpo inteiro.

***

 

sexta-feira, 02 de dezembro

 

gripada & febril

o dia inteiro dentro de casa dentro do quarto dentro de mim com a janela & os olhos & a boca & o peito abertos & o frio batendo arrumando livros textos avulsos gibis cd's dvd's roupas lendo lento fumando cigarro após cigarro após cigarro após cigarro após a pós um trabalho que não sei se está terminado mas tenho até segunda-feira ainda para últimos retoques visitando o entre-lugar ou não-lugar da rede social tantos diálogos atravessando a geografia com N. e S. ("sonhos suaaaaaaaaaaados", Al Berto: “só o sangue, o ranho, o suor têm verdadeira dignidade de tinta”) com Filipe Espindola & Sara Panamby ("aquenda, que a neca é odara e você pode checar", "estou cá pensando na polissemia do verbo 'checar' que o contexto do bajubá nos proporciona...", "vc é tão luxo!", "tod@s luxuos@s! [...] checar na neca odara aquendada pode significar uma intimidade, uma entrega sem tamanho e sem nojo!") espirros tosses & aquele peso descompassado de muco no nariz ainda com a janela & os olhos & a boca & o peito abertos o frio batendo uma febre subindo ainda fumando cigarro após cigarro após cigarro após cigarro após uma pizza que essa gripe & essa febre passem porque amanhã quero encontrar Kathya Cegha Bruno Cesar HH Paulo L. e quem mais vier esse vento esfriando a minha febre & eu ouvindo Depeche Mode será que amanhã estarei sadio para varar a madrugada ou terei de sair gripada & febril mesmo à procura de algum corpo disposto a mentir para mim com sinceridade



***


sexta-feira, 29 de junho

 

D.,
o meu cu
o meu caralho
os meus corações
o meu corpo inteiro
pensando em ti
no meio dessa
tarde



***



quinta-feira, 06 de julho

 

pele de carneiro

som@s eu e tod@s @s outr@s
som@s muit@s imensuráveis
conosc@ não tem tédio
nós desrimad@s da pele de carneiro




***



quarta-feira, 08 de agosto

 

Manequins

A Bicha Parassuicida Bissexta me disse em março: "Tive um sonho essa noite. Sonhei que os manequins de uma vitrine tinham bocas. Suas vozes eram femininas e cantavam as catástrofes do mundo. Do meio deles, apareciam mulheres nuas, degoladas, com sangue ainda escorrendo pelos pescoços. Eu não aparecia no sonho, como se eu fosse um telespectador. Vou ao shopping hoje à tarde fazer umas compras.".

 

 


 

Livro: Abra

Autor: Cesar R. Pontual

Gênero: Poesia / Contos / Relatos

Número de Páginas: 100

Formato: 14x21

Preço: R$ 38,00 + frete