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Pâmela F. Filipini

PÂMELA F. FILIPINI nasceu em Rolim de Moura, Rondônia, em 1994. Tem formação universitária em Pedagogia, e atualmente dedica-se exclusivamente à escrita. Cultiva solidão e se planta ao silêncio para sobreviver, eis sua costura de compreensão. Escreve. E nas horas vagas, existe: esta é toda sua substância. Vive através de uma timidez que lhe parece inerente, e é por isso que escreve: para ordenar cernes, e tentar penetrar à realidade que sua conjuntura tanto dificulta. A condição humana é o pilar de seus escritos evidenciando que, além da habilidade com as palavras, inegavelmente, é a palavra que, habilidosamente, concretiza a feitura da escritora.

 

 

 

 

Contatos:













Conheça 5 poemas do livro Folhas dos ossos ou o tratado das coisas insignificantes, de Pâmela F. Filipini:



1.


A palavra é um desabitar
ao mesmo tempo

que possui em seu cerne
uma sentença de habitante

de coisa que encomprida
o contato

que sofre o centímetro
e se alegra na medida

em que todas as medidas
se incompreendem:

erra os cálculos das horas

até que seu dizer não diga
coisa alguma, assim

dizendo de dentro, o todo.

[…]

Ao plantar uma flor, ocupo
um espaço

Ao escrever produzo um
lugar de distância

que induz ao abismo
da intimidade.




***



2.


Todo cemitério
que
carregamos
nos olhos

é terra p’ra flor
nascer.



***




29.



De todas as tragédias

a mais bonita e a mais
doída

foi te oferecer como teu
próprio corpo
o meu coração

transformando-me na
tua anatomia.

 

***



33.



Sofro de árvores que nasceram

velhas, me cortando o espírito

transformando minha carne

em céu estrelado:

semente de solidão

[…]

Sou algo, a mobília do mundo

Mas se eu existo

o vento não pode atravessar

minha existência

tem de fazer a volta em mim



***


38.

 

Olho-te e minha cabeça já zonza sabe que
é a tua presença que me faz presente

Quero tocar-te, mas não antes de te olhar
com todos os meus olhos

é que não acredito em semideuses
não suporto certezas, é por isso que te olho

porque é de ti que sugo o líquido da vida:
a raiz do mundo

E te caminho, sou caminhante, mas antes o faço
com os meus olhos

porque a memória é o olfato do sentimento
e é em ti que se guarda a claridade dos meus dias,

é no teu sorriso que secreto minha boca

[…]

Tua nudez faz queimar minha roupa
porque a alma é um instante de fogo puro

tua nudez fere minha pele porque duas
nudezes quando se encontram – vestem
o mundo todo

A tua pele é um segundo brusco nas horas
de minha pressa

[…]

Talvez você não saiba como é dar um passo
em direção a ti sem não perder-se no teu nome

é que assim que te vejo faço-me tua anatomia
e me planto ao teu desejo

é no teu beijo que nasço, será tua boca o útero dos
dias com que pareço o entardecer?

Será a visão dos teus dentes minha fome?
Será tua pele a vestimenta de minhas cruezas?

É que quando te olho, costuro-me à tua
paisagem

És o sol em mim.
Eu queimo.
E percebo: existo em ti.
E morro, é em ti que morro.
Morro porque tudo que existe
há de acabar em algum
momento

mas nem tudo que acaba – termina.
E é isto, em ti acabo para nunca me
terminar.

 

 


 

 

Livro: Folhas dos ossos ou o tratado das coisas insignificantes

Autor: Pâmela F. Filipini

Gênero: Poesia

Número de Páginas: 150

Formato: 14x21

Preço: R$ 38,00 + frete