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Andréa Catrópa

ANDRÉA CATRÓPA

 

Andréa Catrópa (www.andreacatropa.com) nasceu em 1974. É doutora em Teoria Literária (USP) e ministra aulas e cursos nas áreas de literatura e criação de textos. Publicou o livro de poemas Mergulho às avessas (Lumme: 2008) e participa de coletâneas como Rock Book – Contos da era da guitarra (Editora Prumo:2011), Prévia poesia (risco editorial: 2010) e Antologia da Poesia Brasileira do Início do Terceiro Milênio (6 dias, 6 noites: 2008). Em 2014, concluiu sua primeira novela, ainda inédita,

intitulada de Em Negativo. Foi coeditora, ao lado de Eduardo Lacerda, do Jornal de Literatura Contemporânea O Casulo. Realizou a série radiofônica Ondas Literárias, premiada pela Secretaria de Estado de Cultura. Recebeu a Bolsa de Criação Literária (PROAC) e foi duas vezes contemplada com o Rumos Itaú Cultural.

 

 

Contatos:


Conheça o texto de posfácio do livro de contos Sem sistema, de Andréa Catrópa:

 

Posfácio
Por Harold Kenttä*

 

Entre os quatorze contos que compõe o volume Sem Sistema, que assinala a estreia na prosa da paulistana Andréa Catrópa, identificamos três principais eixos conceituais: 1) os transtornos neuróticos e os pequenos dramas psicológicos que afligem as personagens cotidianamente, sem que elas tenham condições de elaborar reações de desenlace, contentando-se com o gerenciamento da dor e da sensação de inadequação; 2) a violência urbana e a invisibilidade de certos setores da população, que se pautam por códigos e condutas próprias; 3) a solitude em tensão com a crescente massificação, tema que permite estabelecer liames sutis entre as situações e personagens apresentadas em cada conto particular, como um fio condutor que permeará todo o volume.

A estética fragmentária dos textos acaba tornando cada conto a peça de um mosaico, dentro de um desenho maior que é o livro. Não só as opções formais por interrupções e estilhaçamento das unidades de ação, como também a incorporação de transições das vozes narrativas no corpo do texto apontam para as dificuldades contemporâneas de se delimitar limites espaço-temporais que acabam incidindo na forma como construímos nossas noções de subjetividade e de relação com o entorno. Paradoxalmente, vivemos uma situação interessante, sobre a qual precisamos refletir: o máximo do individualismo convive com o seu oposto, ou seja, um assédio da alteridade, um constante apelo para nos fundirmos em uma ilusória unanimidade. Fugazes e irrefletidas, a última moda, a última notícia, a última teoria, a última estratégia de vendas cobram atualização na mesma medida em que se mostram descartáveis. O ritmo frenético anula-se. Como se a rapidez exacerbada pudesse, ao fim da equação, equivaler-se à inanidade e o movimento automatizado, maquínico se tornasse pura inércia.

Assim as personagens de Sem Sistema assemelham-se a cacos fixados em um mosaico, encenando uma épica do solipsismo, em que cada pessoa, vivendo em uma grande cidade, tem a sensação de fazer parte do todo pelos motivos que não alimentam a épica convencional. Em lugar dos deuses controlando um destino irrevogável, temos o vazio niilista girando os segundos que se justificam pela própria continuidade; em lugar do povo fortemente ligado identitariamente, temos a miríade de desenraizados que formam uma espécie de comunidade; em lugar da troca e das relações fortemente determinadas, temos o acaso colocando nossos homens e mulheres ao sabor do azar nas casas dos tabuleiros para se movimentarem rumo aos acontecimentos.

 

 

*(Harold Kenttä é doutor em Literatura Latino-americana pela Universidade de Helsinque. Apaixonado por literatura brasileira, o estudioso viveu dez anos entre Rio e São Paulo. Em 2013, retornou à Finlândia e atualmente é professor na Universidade de Oulu.)

 


 

 

Livro: Sem sistema

Autor: Andréa Catrópa

Gênero: Contos

Número de Páginas: 100

Formato: 14x21

ISBN: 978-85-8297-368-4

Preço: R$ 38,00 + frete