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Tiago Moralles

TIAGO MORALLES

 

Tiago Moralles é paulistano desde 1985. Formado em Comunicação Social, ganha dinheiro como redator publicitário e gasta dinheiro como escritor. Participou de alguns projetos digitais de literatura, tem contos e crônicas publicados em antologias, escreve regulamente em blogues e é autor do livro São Paulo – Cidadexpressa, junto com Mauro Paz. Aos Poucos, O Fim é o segundo livro que nasce.

 

Contatos:

 

 

 

Conheça o texto de apresentação do livro Aos poucos, o fim, de Tiago Moralles:



Embora sejam breves, a história de Tiago com os microcontos vem de longa data. E isto logo se percebe pela intensidade e apuro da técnica em seus escritos.

Neles, uma vírgula é mais do que uma pausa. Uma linha incompleta é mais do que um silêncio. Tudo é pensado, tudo significa, nada é sem propósito. Não se trata apenas de escrever curto, mas o essencial. Usar a palavra em seu máximo, amplificando suas possibilidades.

É com base nesta precisão que Tiago também escolhe seus temas, capta o banal que sempre nos é tão fugaz e empresta lirismo ao cotidiano. Porque tendemos a valorizar apenas aquilo que foge à normalidade, aos grandes acontecimentos, enquanto a vida é uma coleção de pequenos instantes. E só quando somos capazes de enxergar e admirar esses fragmentos de tempo é que, realmente, nos damos conta da grandiosidade da vida.

Talvez esteja aí o porquê deste livro, da sua força e da sua leitura urgente.

Pena que ao poucos, assim como o título nos lembra, ele também chegue ao fim.


Samir Mesquita

 

***


Conheça 10 microcontos do livro Aos poucos, o fim, de Tiago Moralles:

 

99

O homem que chega na rodoviária,
tem o rosto pálido,
as roupas descombinadas,
o sapato vários números maior que seu pé
e uma mala vazia na mão.

 

***


95

As nuvens levaram uns 3 animais,
do meu sorvete metade já derreteu e o papai,
com a bola,
continua brincando de morto na poça de sangue.

 

***

 

91

Fiquei sozinho na sala de espera
depois que minha mãe saiu chorando.
Apesar de pequeno,
ainda lembro bem do médico
que não trouxe meu pai de volta.

 

***

 

89

É noite.
Sozinho divido meu silêncio com o estalar dos móveis.
Amanhã não.
Amanhã,
junto com a carta,
deixo a mobília falando sozinha.

 

***


87

O destino se perde no tempo.
Não sabe mais o que é passado, presente ou futuro.
E por um erro de conjugação da vida.
O menino nasce morrido.

 

***

 

86

Daqui de cima eu vi tudo.
Do teto da igreja vazavam luzes,
do altar vazavam preces,
e dos olhos de mamãe, vazavam lágrimas de saudades.

 

***


84

Queria dar aos pais
tudo o que sempre ganhou na infância.
Só que no caso deles,
preferia que sangrassem mais.

 

***

 

79

Quando papai falou pela primeira vez como o vovô havia morrido, eu pensei que ele tinha esquecido a história no meio da frase.
Foi só 7 anos depois que eu descobri que não era problema de memória; era problema de garganta.
Quando a gente fala de uma pessoa que não existe mais, a garganta dói, deve ser por isso que a gente para de falar e chora.
Hoje de manhã quando eu expliquei pra mamãe a minha teoria, a garganta dela também doeu.
A gente tava falando do papai.

 

***

 

78

O zelador do parque de diversões,
em meio a toda escuridão,
nunca entendeu de onde vinha a alegria das famílias
durante o dia.

 

***

 

75

Dois corpos acelerados
em uma constante e medíocre troca de fluidos.
A única comunicação eram gemidos.
O único carinho era atrito.

 

 


 

Livro: Aos poucos, o fim

Autor: Tiago Moralles

Gênero: Microcontos

Número de Páginas: 120

Formato: 14x21

Preço: R$ 38,00 + frete

 







Livro: São Paulo - Cidadexpressa

Autores:
Mauro Paz & Tiago Moralles

Gênero:
Contos

Número de Páginas:
150

Formato:
16x23

Preço:
R$ 37,00 + frete