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Anna Apolinário

ANNA APOLINÁRIO

 

Anna Apolinário, nascida em 28 de julho de 1986 em João Pessoa, Paraíba. Poeta, licenciada em Pedagogia pela Universidade Federal da Paraíba e autora dos livros Solfejo de Eros (CBJE, 2010), Mistrais (Prêmio Literário Augusto dos Anjos - Edições Funesc, 2014), e Zarabatana (Patuá, 2016).

 

 

Contatos:


Conheça 05 poemas do livro Zarabatana, de Anna Apolinário:

 

Guilhotina


palavra é
arma branca
zarabatana
guelra, arpão
grito e rasgo, voragem

o verso é
sangue
beijando o chão

 

***


Pandora



boneca suspensa numa caixa de mescalina
soluçante, aranhiça
tecendo casulo, cataclismo de seda
azul


palavra, avança
sutil floco, embora foice


Pandora parindo
beleza, horror

 

***


Catalepsia
Para Aline Cardoso

 

felina sibila
caminha
indígena entre
demônios de Machado


olhos
aguilhoam o sonho
garganta afia
o canto dolorido-divino


mulheres parindo

 

***

 

Vênus Vulcânica


Estilhaça a tua própria medida
(Hilda Hilst)

medusa enforcada
o espelho estilhaçado pelo eterno retorno de Saturno


Atena e Aracne rasgam
abismos sanguíneos em meus abismos
afiam demônios


meu batom vermelho batizado com belladonna
pulsos seios púbis perfume
de endorfinas ofídicas
pupilas dilatadas por metanfetaminas
hálito de tequila e haxixe


nefelibata, calço os coturnos de Hilda
visto seu casaco rosso
e macero cicutas com meu amante
frente ao fantasma asfixiado de Sylvia Plath

 

***


Salmo



teu sexo escreve o evangelho de Sade
“Mea vulva, mea vulva, mea maxima vulva”


sou uma oração suja
roçando tua nuca
rosário rebentado de volúpia


sou uma hóstia
em tua língua
ardo

 


 

 


Anna Apolinário, nascida em 28 de julho de 1986 em João Pessoa, Paraíba. Poeta, licenciada

em Pedagogia pela Universidade Federal da Paraíba e autora dos livros Solfejo de Eros (CBJE,

2010), Mistrais ( Prêmio Literário Augusto dos Anjos - Edições Funesc, 2014), e Zarabatana

(Patuá, 2016).

Poemas de Zarabatana

Guilhotina

palavra é

arma branca

zarabatana

guelra, arpão

grito e rasgo, voragem

o verso é

sangue

beijando o chão

Pandora

boneca suspensa numa caixa de mescalina

soluçante, aranhiça

tecendo casulo, cataclismo de seda

azul

palavra, avança

sutil floco, embora foice

Pandora parindo

beleza, horror

Catalepsia

Para Aline Cardoso

felina sibila

caminha

indígena entre

demônios de Machado

olhos

aguilhoam o sonho

garganta afia

o canto dolorido-divino

mulheres parindo

Vênus Vulcânica

Estilhaça a tua própria medida

Hilda Hilst

medusa enforcada

o espelho estilhaçado pelo eterno retorno de Saturno

Atena e Aracne rasgam

abismos sanguíneos em meus abismos

afiam demônios

meu batom vermelho batizado com belladonna

pulsos seios púbis perfume

de endorfinas ofídicas

pupilas dilatadas por metanfetaminas

hálito de tequila e haxixe

nefelibata, calço os coturnos de Hilda

visto seu casaco rosso

e macero cicutas com meu amante

frente ao fantasma asfixiado de Sylvia Plath

Salmo

teu sexo escreve o evangelho de Sade

“Mea vulva, mea vulva, mea maxima vulva”

sou uma oração suja

roçando tua nuca

rosário rebentado de volúpia

sou uma hóstia

em tua língua

ardo
Livro: Zarabatana

Autor: Anna Apolinário

Gênero: Poesia

Número de Páginas: 100

Formato: 14x21

Preço: R$ 38,00 + frete