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Ruy Espinheira Filho

RUY ESPINHEIRA FILHO

 

Pela Patuá, o poeta Ruy Espinheira Filho tem três livros publicados Babilônia (2017), Milênios e outros poemas (2016) e Noite alta e outros poemas (2015).

Em 2012 a Bertrand Brasil lançou Estação infinita e outras estações, reunião de toda a poesia de Ruy Espinheira Filho, elogiado, em sua estreia (Heléboro, 1974), por Carlos Drummond de Andrade, que o classificou como autor de uma “poesia concentrada e de sutil expressão”.

Noite alta e outros poemas dá continuidade a uma obra já consagrada pela crítica e vencedora ou finalista dos mais importantes prêmios literários do Brasil, como, entre outros, o Prêmio Nacional de Poesia Cruz e Sousa (As sombras luminosas. Santa Catarina: FCC Edições, 1981), o Prêmio Ribeiro Couto (Memória da chuva - UBE-RJ, 1997. RJ: Nova Fronteira, 1996), o Prêmio de Poesia da Academia Brasileira de Letras (2006 – Elegia de agosto e outros poemas. RJ: Bertrand Brasil, 2005) e o Prêmio Jabuti - 2º lugar (Elegia de agosto), 2006. Duas vezes finalista do Jabuti (Memória da chuva, 1997, e Sob o céu de Samarcanda, 2010. RJ: Bertrand Brasil, 2009) e do Prêmio Nestlé (1997, Memória da chuva), e mais duas indicado ao Prêmio Portugal Telecom (Sob o céu de Samarcanda, 2010, e A casa dos nove pinheiros, 2013. São Paulo: Dobra Editorial, 2012), Ruy teve seu poema infantil, A guerra do gato (Bertrand Brasil, 2005), selecionado pelo programa Minha Biblioteca, da Câmara Brasileira do Livro e do Governo de São Paulo.

Também foi destaque em outras premiações: Prêmio Rio de Literatura, 1985 (2º lugar, romance ─ Ângelo Sobral desce aos infernos. RJ: Philobiblion, 1986, relançado em 2014 pela Giostri Editora, São Paulo), finalista do Prêmio Nestlé 1986 (O rei Artur vai à guerra ─ SP: Contexto, novela juvenil, 1987), finalista do Jabuti 2002 (Tumulto de amor e outros tumultoscriação e arte em Mário de Andrade ─ RJ: Record, ensaio, 2001), e, com romances (Um rio corre na Lua ─ BH: Leitura, 2007 e De paixões e de vampiros ─ uma história do tempo da Era ─ RJ: Bertrand Brasil, 2008), mais duas vezes indicado ao Prêmio Portugal Telecom (2008 e 2009). Além dos livros, que já ultrapassam os 30 títulos, Ruy tem poemas e contos incluídos nas principais antologias brasileiras e em Portugal, na Espanha, na Itália, na França e nos Estados Unidos.

 

Contatos:

 


Conheça 04 poemas do livro Milênios e outros poemas, de Ruy Espinheira Filho:

 

SONETO DAS MESAS


Convido os irmãos mortos para a mesa.
E mais o pai. E a mãe. E amigos tantos.
Não para reviver coisas de prantos,
pois horas dolorosas nesta mesa

não podem ter lugar. Tem a certeza
do amor com que bordamos nossos mantos
de dias já cumpridos e outros tantos
que são dos reunidos nesta mesa.

Os que se foram, eis que não se foram
de vez. E sempre vêm, quando os convido
ou não convido - jovens, sem tristeza.

Pai, mãe, irmãos, grandes amigos... Douram-me
a alma – enquanto aguardo, comovido,
minha vez de sentar-me à sua mesa.

***

 

CLEPSIDRA



Com certeza: a vida tem
furores de Hércules e de Hidra
e nunca poupa a ninguém
nas águas da clepsidra.

Mas vamos levando o barco,
desafiando oceanos,
pois o que sustenta a alma
sempre é a graça dos enganos

que urdimos e nos compõem
com forças de Hércules e de Hidra
para esperanças e amor
nas águas da clepsidra.

***

 

HÁLITOS



Desperto ao último
hálito da noite
que observo nos coqueiros lânguidos,
nos tímidos galhos da romanzeira,
nas nuvens já quase sem memória
das sombras.

Último hálito da noite,
desta que está acabando
de passar.

Sereno hálito, como espero que seja
o meu último
quando chegar a noite que jamais
passará.

 

***

 


ANOTAÇÕES NOTURNAS

 

Densa noite de trovões.

Pelas janelas entram anjos
cintilantes.
Se apenas um me tocar
certamente com ele partirei em
fulgor.

Ainda falta muito para amanhecer,
se é que ainda haverá
amanhecer.

Assim aconteceu uma vez,
ou muitas vezes,
o fim do mundo.

Se não for assim
desta vez,
alguém poderá estar lendo
agora
estas anotações
do que nesta noite abre
sobre mim
o coração tumultuoso
do céu.

Nesta noite,
nesta vez,
de que sairemos
(se dela sairmos)
sabendo apenas que
nesta vez,
por fim,
ainda não foi,
desta vez.

 



 

Conheça 04 poemas do livro Noite Alta, de Ruy Espinheira Filho:

 


CREPUSCULAR


Ainda poder
escutar a Musa,
embora já imerso
na sombra difusa

que vai se adensando
para se fazer
uma treva de
nunca amanhecer.

Ainda poder
chegar à extrema
duração do dia
na voz de um poema,

mesmo humilde, apenas
suspiro da Musa
num adeus à beira
da noite difusa.

 

***

 

OS LADOS

 

Era o fim de uma guerra
e todos os homens tinham decidido se matar.
E se matavam: eu via
a interminável multidão de cadáveres
na lama das ruas,
espalhada pelos campos,
descendo os rios.
E eu mesmo teria que me matar,
embora sem nenhuma vontade,
pensando um meio de continuar vivo,
mas sem saída: todos os homens teriam mesmo
que se matar.

Como viam minha hesitação,
algumas mulheres (que não iriam se matar,
as mulheres,
nenhuma delas,
acho que porque alguém teria
de ficar para fazer a comida,
lavar as roupas,
cuidar das crianças,
tecer vestuários, tranças
e intrigas,
coisas que só se pode fazer
com muita vida),
me falavam de maneiras de morrer
com rapidez e até
prazerosamente.
O que não me consolava. E então
deram-me umas pílulas misericordiosas
que prometiam apenas um rubor nas faces
e a paralisia imediata do músculo cardíaco,
e lá fui andando com elas nas mãos,
as pílulas,
perdido,
a alma cheia de cinzas,
e de súbito veio uma claridade e elas,
as misericordiosas
pílulas e mulheres,
haviam desaparecido,
eu não teria mais que me matar,
e baixou sobre mim uma paz imensa,
pois havia despertado
do outro lado,
mais exatamente deste lado
do sonho.

Escrevo desta maneira lembrando um amigo poeta
que me resumiu assim a morte: apagamos e
imediatamente despertamos
do outro lado.
Perguntei-lhe que outro lado. Não gostou,
fitou-me como se eu fosse uma
abominação.
É verdade, nunca entendi bem essa certeza
no outro lado,
mas aprendi com Goethe a não negar essa possibilidade,
porque, explicou ele,
se existisse mesmo o outro lado,
ali chegando, em sua vez,
teria de suportar os crentes,
que zombariam do seu desmoralizado ceticismo
eternamente,
eternamente...
(foi o que ele disse certa vez a Eckermann,
se não me engano,
de maneira bem mais elegante
do que esta,
pois, afinal, era Goethe).

Do outro lado.
Passei para este lado e não tinha mais que morrer.
Esta é a esperança dos que falam do outro lado,
não o do sonho como o que tive,
mas aquele para o que passamos e não morremos mais.
É só apagar e brilhar e viver bem-aventurado para sempre.
Ou ser,
como temia Goethe,
caso se tenha cometido o pecado da Dúvida,
condenado às chamas da ironia e do sarcasmo
eternamente,
eternamente...

(E jamais poderia haver uma contrapartida
daqueles que duvidaram:
se apagarmos neste sonho e não despertarmos em outro
não poderemos zombar dos que acreditaram
e nada encontraram,
porque nem eles nem nós estaremos em qualquer lado,
pois não haverá lado nenhum,
sonho nenhum,
não haverá nada,
nada,
nada,
eternamente,
eternamente,
eternamente...)

 

***

 

LEITURAS

 

Livros, livros, livros...
Antes da palavra escrita,
o que lia o homem?
O Sol, certamente, como a Lua,
as estrelas, as nuvens, as árvores, as flores,
os pássaros, as águas,
o vento...

Livros, livros, livros...
Mas também leio as coisas que os antepassados liam,
inclusive olhos,
que ao longo dos milênio aprimoraram muito as suas dissimulações.
Os olhos,
que leio como leio os livros
e como os livros muitas vezes
são carregados de tolices, más intenções, fraudes, aberrações,
ou opaca mediocridade.
Os olhos que também,
como os livros,
de vez em quando nos levam a horizontes
em que a existência é cálida
e luminosa.

Livros, livros, livros...
Quando eu me for, aqui permanecerão
e quem quiser me visitar
só terá de abri-los.
Ali me verão, de alguma forma, porque por eles passei
e respirei seu ar, leve ou sufocante,
com maus cheiros ou vasto campo de perfumes.
Pois ali permanecerei
por mais um tempo ainda,
mesmo já fechado o último volume
de mim.

 

***


NOITE ALTA

 

A noite vai alta.
No quarto, o luar
acende o retrato
de um menino. O mar

conta velhos contos
de morrer e amar
e o menino o escuta
no retrato ao luar.

Na cama, o homem pensa
que tudo é sonhar
como o sonho de
luar, menino, mar.

Como o de si mesmo
na vida tardia,
com mar, luar, menino
que ele foi um dia.

 

 


 

Livro: Babilônia

Autor: Ruy Espinheira Filho

Gênero: Poesia

Número de Páginas: 120

Formato: 14x21

Preço: R$ 38,00 + frete

 

 

 

 

 

 


 

 

Livro: Milênios e outros poemas

Autor: Ruy Espinheira Filho

Gênero: Poesia

Número de Páginas: 96

Formato: 14x21

Preço: R$ 38,00 + frete

 

 

 


 

Livro: Noite Alta e outros poemas

Autor: Ruy Espinheira Filho

Gênero: Poesia

Número de Páginas: 96

Formato: 16x23

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