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Isabela Romeiro Vannucchi

ISABELA ROMEIRO VANNUCCHI

 

Isabela Romeiro Vannucchi nasceu em maio de 1994 em Dourado-SP, cidade em que viveu a infância. Em 2009 mudou-se para São Carlos- SP. Atualmente mora no Rio de Janeiro, onde cursa Direito na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Entusiasta da fotografia, reuniu seu trabalho na exposição Advercidades em 2013. A autora mantém uma página no facebook, cujo título é o próprio heterônimo - Oliva Universina - que une imagem e poesia. Aos 20 anos A terça fresta é seu livro de estreia.

 

 

 

Contatos:

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Conheça 04 poemas do livro A terça fresta, de Isabela Romeiro Vannucchi:

 


A terça fresta

 

O suor era endêmico daquela derme.
Todo retrato de memória,
ela tinha as molduras molhadas.

As mãos inchadas
grossas e pequenas
sem tato
alternavam tarefas
como fossem da mesma sorte das coisas que tocavam:
Seus dez primeiros dedos
iam ao animal.
Os vigésimos,
àquilo que descendera.
E os trigésimos
à lavagem deles.
E estavam calejados
como nasceram.
Sem engrossar nem afinar,
como uma enxada.

E fediam,
lustrados pela tripa
de uma caça ou de uma morte.

Usou o mesmo vestido florido,
sem gola nem braço,
por quatro filhos.

Não houve quem cresse na gestação.
Mas ela sabia
de olhar os porcos.

Morreu sem unha
e com a mesma fome
que nasceu.

Mas deixou uma vaca,
que dava leite e que não tinha antes.

A miséria era longa,
mas eles morriam só até ali.

 

***

 

Fome

 

Ele tentava alcançar-me,

colher algum indício.

A quantas andam teus afetos?

De todo jeito

e sem modo algum.

Como o esfomeado,

comendo

sopa de garfo.

***

 

Através das grades


A folha em branco não abarca os s
eios da poesia. Toda prisão é quest
ão de geometria. O poema é livre n
o limite de seus muros. Jamais escr
everei redondo em lauda quadrada
sem deixar vogais na estação. O cá
rcere é qualquer coisa menor que h
omem. É todo lugar que ele não cab
e todo. A liberdade esparrama-se do
lado de fora- posso vê-la mas não a
lcança-la: um prometeu entre dois so
nhos. Já que não posso tê-la, conten
to-me com o ser que descende das t
uas costas: a licença.

 

***

 

Rezo


Dois dedos de café.
A descompanhia me separa da prosa:
falar só é falar louco,
diálogo é dizer a quem não te ouve.

Estou rouco por dentro.
Servi aos outros tudo o que me inspira.
Agora,
a luz encerra a mesa deposta.

Um palmo de fé:
o pó me separa da aridez.
Aspiro.

Deus pousou no ombro direito-
espalmei feito mosquito.

Um pus,
o mijo incontido,
e a letra emperrada.

A três figas de ser.
A dor é minha primeira prece.
A segunda é a poesia.

 


 

 

Livro: A terça fresta

Autor:
Isabela Romeiro Vannucchi

Gênero:
Poesia

Número de Páginas:
100

Formato:
14x21

Preço:
R$ 35,00 + frete