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Carlos Moreira

CARLOS MOREIRA

 

Autor do livro Corpo aberto (Patuá, 2014), Carlos Moreira é poeta e compositor. Publicou Evangelho Segundo Ninguém e Duas Palavras pela Edufro; Tetralogia do Nada pelo Clube dos Autores e, recentemente, Cardume, pela Editora Valer. Publicou também Viagem de Cores e Sonhos, comemorando uma década de Festcineamazônia. Teve poemas seus publicados nas Revista Ciência e Cultura, da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Revista Germina, Revista Expressões e Revista Blecaute. É autor de roteiros poéticos para filmes com Jurandir Costa e Fernanda Kopanakis, entre eles os premiados Nada é Longe e Quilombage”. Esteve á frente do grupo Klan de performance poética e dos grupos musicais Odisseia e Caixa de Silêncio. É parceiro também dos músicos Júlio Rangel e André Maria no projeto Idílio Moderno. Sobre seu livro Cardume, Affonso Romano de Santanna escreveu: Carlos, sua poesia é enxuta, e se é cardume, é um cardume ordenado, que faz aqueles balés aquáticos com graça e elegância. Os poemas, me parece, podem ser lidos ad libidum, na ordem que a pessoa quiser: o cardume não tem centro, parece os Três /Quatro mosqueteiros: todos por um, um por todos”.

Recentemente, foi entrevistado em pleno Rio Amazonas por Claufe Rodrigues, para o programa Globo News Literatura

 

(http://globotv.globo.com/globo-news/globo-news-literatura/v/globonews-literatura-vai-ano-norte-do-pais-e-apresenta-o-poeta-carlos-moreira/2988566/).

 

Foi um dos finalistas do Prêmio Quem Acontece de Literatura 2013. Criou, em parceria com Marcos Aurélio Marques, o FLAMA, Festival de Literatura da Amazônia. Carlos Moreira nasceu em 1974.

 

Contatos:

Skook de Algarobas Urbanas


 

 

Conheça 04 poemas do livro Corpo aberto, de Carlos Moreira:

 

 

do veneno

 

sou extremamente fiel

ao estraçalhamento

da minha própria carne

 

colaboro com os lobos:

eu mesmo devoro

algumas partes do meu corpo

enquanto as chamas ardem

 

se os abutres

recusam meu fígado

ofereço a língua viva

e vermelha como a tarde

 

às hienas e ratazanas

resta pouco: um osso

ou outro pra matar a fome

que as devora lá por dentro

 

mas em tudo

em cada naco

em cada mínimo

pedaço de mim

prometo

 

vai o melhor

do meu veneno

 

***

 

não há poema
sem corpo

o próprio corpo
é um poema

corpoema livre
em desejo e língua

e um pouco além
da língua

a poesia: viva
em seu gozo

 

***

mnese


fosse
o tipo
suicida

hoje
seria
o dia

esta
seria
a noite

agora
seria
a hora

em que
escaparia
do eterno

inferno
da
memória

***

 

para ser lido pelo avesso
o corpo necessita arte
ou faca de gume certeiro
ou a outra: toda palavra

em curva cordilheira e sangue
a faca sabe o corpo inteiro
não há mais sonho no vermelho
nem força que a maré estanque

pela palavra o corte é fundo
mas não se toca nem a pele
o corpo cede ao toque sendo
o mesmo corpo a mesma sede

por dentro não se toca o corpo
por fora não se vê o nada
entre um mistério e outro
o corpo do poema nada

 

***

 

 

 


 

Livro: Corpo aberto

Autor: Carlos Moreira

Gênero: Poesia

Número de Páginas: 126

Formato: 14x21 - acabamento em capa dura

Preço: R$ 37,00 + frete