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Ademir Assunção

ADEMIR ASSUNÇÃO

 

Autor dos livros Ninguém na praia brava (romance, Patuá, 2016), Até nenhum lugar (Patuá, 2015) e Pig Brother (Patuá, 2015) e de LSD Nô (1ª Edição - Editora Iluminuras, 2014 e 2ª Edição comemorativa de 20 anos - Editora Patuá e Selo Demônio Negro, 2014), ADEMIR ASSUNÇÃO é poeta e jornalista. Publicou livros de poesia, ficção e jornalismo, como A Máquina Peluda (1997), Zona Branca (2001), Adorável Criatura Frankenstein (2003), Faróis no Caos (2012) e A Voz do Ventríloquo (2012) – Prêmio Jabuti de poesia. Integrou diversas antologias publicadas no Brasil, Argentina, Peru, México e EUA, entre elas Geração 90 – Os Transgressores (2003), Roteiro da Poesia Brasileira – Anos 90 (2011) e Cuentos Brasileños Contemporáneos (2013). Tem poemas musicados e gravados por Itamar Assumpção, Edvaldo Santana e Madan. Gravou os cds de poesia e música Rebelião na Zona Fantasma (2005) e Viralatas de Córdoba (2013). Vive em São Paulo.

 

Contatos:

Skook de Algarobas Urbanas

 


Conheça um fragmento do não-romance Ninguém na praia brava, de Ademir Assunção:

 

07.05.2008 (quarta-feira)

Estou bem por aqui. Estou muito bem. Durante as manhãs e até o meio da tarde eu fico morgando na praia. Ouço o mar e vejo as gaivotas e as garças e as ondas se jogando sobre as pedras. A luz de outono é muito bonita. O sol não é tão ardido. Posso ficar tranquilo, estendido na areia, lendo Henry Miller ou Dante ou Roberto Piva ou simplesmente olhando o movimento do oceano Atlântico. Quanto mais eu olho o mar mais eu olho para dentro de mim e o que vejo não me assusta.

Vejo um velho elefante, ainda forte, cagando pras notícias do mundo. O movimento do mundo está aqui e o velho elefante se movimenta com ele. Talvez o velho elefante não consiga mais voltar para o mundo dos civilizados. Talvez o velho elefante queira se desgarrar da manada e viver por aqui. Talvez o velho elefante queira que seus ossos sejam enterrados na areia — como os ossos de uma baleia, sem documento, sem certidão de nascimento, sem certidão de óbito. Ele sabe que nasceu e ele sabe que vai morrer. Isso basta para o velho elefante. O velho elefante está cagando para os documentos da civilização. O velho elefante só quer viver sua vida.

Como em qualquer lugar do planeta, os dias acabam e as noites começam. Quando chega a noite eu visto minhas cuecas puídas e minhas meias furadas e escrevo poemas e posso trabalhar sossegado e isso está muito bem pra mim. Floquinho está latindo para um lagarto verde que acabou de cruzar as folhagens. Keith Jarrett geme enquanto toca seu piano. Floquinho avança, late e recua. Keith Jarrett ataca as teclas negras e brancas do piano. O lagarto já se mandou há muito tempo, mas Floquinho continua latindo. É o que ele sabe fazer. Ele simplesmente está se divertindo. Keith Jarrett também.

Daqui eu ouço o marulho da cachoeira que nunca cessa. E ouço o canto das cigarras. Aqui eu mesmo faço meu rango. Aqui eu mesmo faço minha trilha sonora — mixo Tom Waits com os latidos de Floquinho e com o marulho da cachoeira. O planeta gira no imenso mistério da galáxia. Eu giro junto com ele. Está tudo certo. Se alguém pergunta meu nome, eu simplesmente respondo: Ninguém. Meu nome é Ninguém.



***

 


Conheça 03 poemas do livro Até nenhum lugar, de Ademir Assunção:

 

alguém explique
como persiste
uma memória tão vívida


de uma pessoa
que já não existe?

 

***

 

manhã
fria
de outono

o sol
dissolve
o orvalho

nas asas
da borboleta

 

***

 

tanto caminhar
tantas luas tantos sóis
até nenhum lugar

 

 

SINOPSE DO LIVRO PIG BROTHER + 2 POEMAS:

 

Poema narrativo, dividido em 7 partes e 66 cantos: esta seria uma forma correta, porém soft demais, para sintetizar Pig Brother. O mais acertado seria descrevê-lo como uma epopeia trash metal, dividida em 7 círculos infernais e 66 episódios dantescos.

O que se apresenta neste poema é um cenário brutal, sem sentido e sem saída. Um mundo para o qual os deuses simplesmente viraram as costas, cansados de verem seus avisos sucessivamente ignorados.
As ruas e o interior dos edifícios estão mergulhados no caos. A violência é desmedida. O cinismo, a angústia e o desespero são a tônica do inferno descrito com uma profusão de imagens aterradoras, que se aproximam mais do ritmo do cinema do que da contemplação da pintura.

Verdadeiras entidades xamânicas, barra-pesadas, os personagens tocam o terror, sem piedade e sem ética, no que sobrou dos escombros do sagrado. É como se deixassem um último aviso pendurado na porta de entrada: é isso mesmo o que vocês querem?

Pois então saibam que o Irmão Porco tomou conta do pedaço, as colunas que sustentam o mundo estão prestes a desabar e as saídas de emergência se encontram lacradas.

A ISSO PODEMOS CHAMAR DE TERRA DEVASTADA.

 

***

 

AS RUAS ESTÃO ESTRANHAS ESTA NOITE


Pétalas destroçadas tingem a noite de vermelho.
Mister Morfina se arrasta pelas ruas,
os bolsos cheios de câmaras de ar furadas,
tranqueiras e cacos de vidro.
Peixes coloridos saltam sob a luz dos semáforos.
Uma Rosa cospe um blues na poça das sarjetas.
Um Opala caindo aos pedaços
bate de frente
no Monumento aos Desesperados Anônimos.


O vidro do aquário se estilhaça.
Os peixes fogem montados em motocicletas envenenadas.
Orelhões suicidas gritam palavras obscenas
para velhinhas traficantes.
Mister Morfina acende um cigarro
e observa a palidez de 50 top models
que desfilam descalças
na passarela cheia de cacos de vidro.


Deus está solto.
E dizem que Ele está armado.

 

***

 

CAOS & ENTRETENIMENTO

 

O cenário amanheceu mais surtado do que o costumeiro.
Ondas radioativas dissolvem as escamas dos peixes
na Baía de Todos os Santos.
Golfinhos nucleares afundam fragatas
na Festa Literária de Parati.
Balas esmigalham ossos & músculos
— pilhas de corpos descartados
superlotam caminhões de lixo:
os aterros sanitários entraram em falência irreversível.
“Aleluia! Aleluia!” – bradam pastores insanos
nos subterrâneos da Sé,
evangelizando motoboys e ladrões de carro
com bíblias falsificadas no Paraguai.
Homem de Aço assiste a tudo
pela janela do Tower Jungle Hotel.
Olhos de cyborg flagram o sol de estanho
se infiltrando nas rachaduras,
procurando brechas entre os escombros
— frágeis filetes de luz lambendo a pátina
de um mundo sem memória,
quase sempre escuro —
vidas desfocadas pela névoa constante —
o céu de madeira sempre fechado,
rajado de nuvens pesadas, sem movimento.

 

 

Conheça 04 poemas do livro LSD Nô, de Ademir Assunção:


PALÁVORAS

 

Palavras: palávoras: devoras-te ou me
decifro, forasteiro.


Quem está fora mira de soslaio quem está
dentro. Dentro e fora: o brilho da fera, a
fuzarca da farra. Ilusão de estética. Semi-

ótica.


Poesia: farra.


Poesia: arranjo de palavras. Precisas, como
os galhos de um ikebana.


O que um poeta precisa?


Necas de louros, nenhures de trapos, fora
ranço, se manda rixa, pitibiriba de mágoa.
Sem nódoa, sem lenço, sem nada.


Um poeta precisa de palavra.


O peixe; nada.

 

***

 

A LIRA NO LIXO
para cazuza


pensam o poeta
um ente otário
doente, sem dinheiro
um falsário
profeta picareta
um prego enferrujado
espalmado
na mão direita


pensam o poeta
um junkie solitário


trama o poeta em seu nicho
palavras mágicas
sendas ocultas
senhas surdas
risca um risco no disco
cisca um cisco preto
no mármore preto
e cata iguarias no lixo

 

***

 

LISTA DE SOBRAS


bruma densa
névoa de cigarro
névoa-névoa
passos sem nenhuma pressa
palavras ásperas
lágrimas no lixo
de quase nada recomeço
patas leves de gato
vozes de ninguéns
talvez alôs do além
um algo ainda gente
pessoas fossem bichos

 

***

 

INFERNO/VERÃO


vocês verão: ainda que neste inferno
sobreviverei
sobre o veludo do sabre
sob os tapetes da lei
veremos, verei, insisto
e às festas de shiva brindo
ao fogo rezo, a chuva ouço
a chave, a esfinge, o segredo:
tudo estava previsto
menos esse pé de vento
com o qual me visto

 


 

Livro: Ninguém na praia brava

Autor: Ademir Assunção

Gênero: Romance

Número de Páginas: 192

Formatos: 16x23

Preço: R$ 38,00 + frete

 

 

 

 


 

Livro: Pig Brother

Autor: Ademir Assunção

Gênero: Poesia

Número de Páginas: 136

Formatos: 16x23

Preço: R$ 37,00 + frete

 

 

 

 


 

Livro: Até nenhum lugar

Autor: Ademir Assunção

Gênero: Poesia

Número de Páginas: 100

Formatos: 16x16

Preço: R$ 28,00 + frete

 



 

 

Livro: Promoção - Pig Brother + Até nenhum lugar

Autor: Ademir Assunção

Gênero: Poesia

Número de Páginas: 100 / 136

Formatos: 16x16 e 16x23

Preço: R$ 55,00 + frete

 

 

 


 

 

Livro: LSD Nô - 2ª Edição Comemorativa de 20 anos de lançamento - Editora Patuá e Selo Demônio Negro

Autor: Ademir Assunção

Gênero: Poesia

Número de Páginas: 112

Formato: 16x23 - acabamento em capa dura e tecido

Preço: R$ 45,00 + frete