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Manoel Herzog

MANOEL HERZOG

 

Autor dos livros Dec(ad)ência (Romance - Patuá, 2016), Sonetos D’amor em branco e preto (Poesia, 2016 - Prêmio ProAC 2015); O evangelista (Romance - Patuá, 2015), A comédia de Alissia Bloom (Poesia - Patuá, 2014) e Companhia Brasileira de Alquimia (Romance - Patuá, 2013), Manoel Herzog nasceu em Santos a 24 de setembro de 1964. Em 1987, estreou com a publicação do livro de poemas Brincadeira Surrealista. Cursou Direito na Faculdade Católica de Santos. Foi finalista, com o romance Amazônia, do Prêmio Sesc 2009. Coordena oficinas de literatura em Santos, na Estação da Cidadania, pelo projeto Ponto de Cultura. Em janeiro de 2012 publicou o romance Os Bichos, pela Editora Realejo. O romance Companhia Brasileira de Alquimia foi premiado pelo FACULT. Também escreve quinzenalmente uma crônica literária na coluna Cais das Letras, no site Cinezen: http://cinezencultural.com.br/site/

O romance Companhia Brasileira de Alquimia foi semifinalista do Prêmio Portugal Telecom 2014. O livro de poemas A Comédia de Alissia Bloom ganhou o 3° lugar do Prêmio Jabuti de Poesia.

 

 

Contatos:

Skook de Algarobas Urbanas

 

Conheça 05 poemas do livro Sonetos D’amor em branco e preto, de Manoel Herzog:

 

A INSUFICIÊNCIA DA FORMA

Quero te ver no céu, longe de tudo,
Longe de tudo te encontrar, no céu.
Além do Bem, do Mal, do Absoluto,
Longe de tudo que pensas ser meu


E que, no entanto, eu nunca possuí.
Mas, tu não vês minha insuficiência,
Mas tu não vês que eu quero só a ti
E daí vem toda a minha ciência.


É que eu sonhei que tu eras a mais linda
Do Céu, tu não amamentavas nem
Eu trabalhava ou morava num gueto.


Não dá pra te contar o sonho, e ainda
Que um dia o possa, pra exprimir não tem
Suficiência a forma de um soneto.

 

***

 

TETRÁLOGO DO EXÍLIO DOS PÁSSAROS

 

II



Canoro canário
Que cantas do claustro
Da tua gaiola,

Meu obituário
Que encerra meu fausto,
Meus dias de glória,

Cantaria doce
Pudesse a memória,
Maestrina que fosse,
Fazer-me pôr fora

Amores, chamegos,
E uma luz fosfórea.
Assum-preto, cego,
É o que sou agora.

 

***

 

SONETO DA IMPOSSIBILIDADE



Não posso dar o amor que você pede,
Contudo, é todo seu o amor que eu posso.
Pra natureza fraca não há remédio,
Sou delicado, espano se me esforço.


Deixar morrer amor bom feito o nosso
Sei, pode parecer cruel e, adrede,
For eu forçar, acabo tendo um troço.
Minha energia, a seiva do meu pé de


Laranja-lima, amor, tudo isso eu dava,
E dava mais que tudo, se eu pudesse.
Mas eu não posso, e pouco, eu sei, não serve.


Então se fica assim, você no estresse
E eu vivo – morto o amor também findava –
Que dar cabo da vida não se deve.

 

***

 

PARA UMA VIRGEM


Dez horas da manhã, levantar não consigo,
Estátua insone, nem rezar mais posso, ateu.
É doce aqui ficar pensando, neste abrigo
De cobertor em que meu corpo pede o teu.

É bom sonhar desperto que éramos amigos,
Pensávamos assim até que aconteceu
De ver-te, uma menina, intacta, já nem brigo
Com Kronos, Deus é sábio, se Ele fez com que eu,

Maduro, viesse a colher louro em teu loureiro,
Foi por eu merecer sambar em tal vertigem –
Deus fez lembrar que estou maduro, mas inteiro,

E é dádiva pra mim o teu amor de virgem
Que eu cuido no tocar, diferente dos muitos
Que tive. Flor-botão, dá a mão, fiquemos juntos.

 

***

 

RANCOR DE FACEBOOK

para Leo de Oliveira


Aconteceu-te o que eu demais temia:
Te converteste na mulher comum.
Hoje és comentada por qualquer um,
Mendigas likes, quanta baixaria.


Ver teu declínio ao microscópio, ao zoom,
É sopa amarga que se toma fria,
Mas é o que me resgata à nostalgia
De ver-te a pagar peitinho e bumbum.


Por que tanto se expõe o ser amado
Nas redes sociais? Fico tão puto!
Se és infeliz, por que pôr-me arruinado


Postando selfie ao lado, assim, de um bruto?
Só pra eu sofrer? – pra nós não tem mais jeito:
No facebook sangro meu despeito!

***

 

 


 

 

SINOPSE: O Evangelista, de Manoel Herzog:

 

O Evangelista, novo romance de Manoel Herzog, traz a história de um João Evangelista, narrada pelo próprio, que escreve suas memórias desde a ilha em que está recolhido. Homônimo do autor do Evangelho segundo São João – justamente o que se inicia com “No princípio era o Verbo” –, este Evangelista é um bacharel que passou boa parte da vida trabalhando num foro, onde organizava um esquema de ações que rendia, a ele e a um grupo de advogados, bom dinheiro. Envolvido num composto de sexo, dinheiro e traições, acabará por encrencar severamente sua vida, ao levar a sério as analogias bíblicas com as quais vai se vendo cercado. João Evangelista, que odiava a literatura e, mais ainda, a poesia, vai encontrar na escritura o único caminho depois da reviravolta que a vida lhe pregou, ou que ele pregou nela. Nestes tempos bíblicos em que, passado o período de Reis, o governo se encontra na mão de Juízes, é uma fábula que escancara a insuficiência da Justiça do homens.


UM BREVE NOTA DO AUTOR



Sendo esta uma obra de ficção, nunca é demais lembrar que os nomes das personagens são todos criados a partir de analogias bíblicas. Assim, Débora é o nome da única juíza bíblica, Samuel, no livro o último juiz da vara, é também o último no Livro de Juízes, Caio Fabio, o acusador, é o nome mais próximo que encontrei a Caifás, Heródoto a Herodes, Madalena é a adúltera dos evangelhos etc. As personagens, se podem ter tido modelo em fatos do cotidiano vivenciados por pessoas reais, pertencem todas, como diria Mark Twain, à ordem compósita, ou seja, agregam característica nunca de uma pessoa específica deste denso mundo extraliterário, tão incrível quanto a ficção. Por fim, os acontecimentos (sem posar de vestal, em vários eu próprio tomei parte), estes extrapolam o limite do verossímil, a maioria eu os vi acontecer, e vi muito mais coisa que nem relatei.

 


 

 

Conheça 02 poemas do livro A comédia de Alissia Bloom, de Manoel Herzog:

 

PRIMEIRO TOMO – INFERNO


CANTO PRIMEIRO

De como se deu a terrível viuvez de Alissia, e de como se desenvolveu sua compulsão sexual a partir do trauma.




No meio do caminho da minha vida
No auge do amor, do hormônio, eu lá vivendo
Um golpe me colheu, desprevenida:

Passáramos a noite nos comendo,
Tive desejo de maçã azeda,
Carlos se levantou, saiu correndo

Pra ir lá comprar, na banca do Maeda,
O japonês da barraca de fruta.
Voltava, quando viu a labareda

Queimando a tenda do filhadaputa
Do japonês. Parou pra dar um toque
Porque pensava que o japa era truta.

Mas, se fodeu, um caminhão reboque
Que vinha num embalo do caralho
Chapou-lhe a lata, foi um puta choque,

Perdi o bebê, joguei fora chocalho,
Carrinho, fraldas e todo o enxoval.
A cabeça, depois desse chacoalho

Nunca mais funcionou, fiquei bem mal,
Dez dias sem dormir, no ônzimo dia,
Depois daquele triste funeral

Foi que começou a patologia.
Eu tinha tudo, era jovem, bem rica,
Bonita, minha vida prometia,

Além do mais era moça pudica
De tradicional clã de Bebedouro.
Graças a Carlos que conheci pica

Mas, depois de passar por tanto agouro,
Me arrependi guardar a castidade
Então resolvi dar pra preto, louro,

Moreno, branco, homem de meia-idade,
Garotão, atleta, gago e perneta.
Provei gente de toda qualidade,

Mas nada mais preencheu minha veneta.

***



CANTO SEGUNDO

De como se deu a primeira experiência frustrada de Alissia após a morte de Carlos. Do quanto o nipônico Maeda se mostrou crápula em cobiçar a mulher do amigo finado, e de como Alissia foi impiedosa, selando sua infelicidade no amor com sede de vingança aos homens e ao destino.



...Mas nada mais preencheu minha veneta.
Também, pudera, a primeira experiência
Depois do choque e da longa dieta

De sexo a que me submeti, bem tensa,
Foi com o crápula do japonês.
O safardana veio em casa, pensa

Num homem educado, bem cortês,
Me dando condolências pelo morto,
Que era seu grande amigo e aquela vez

Salvou seu patrimônio. Todo absorto,
Num ato de profunda contrição
Me arrodeou de um jeito meio torto

E lamentou a sorte, o caminhão,
A ribanceira e o atropelamento.
Mas, já que acabou tudo, por que não

Pensar agora em novo casamento?
Eu era nova, meu pai fazendeiro
“Casar com Maeda bom investimento,

Né?” Pensei comigo: “Que trambiqueiro”.
E ele seguia: “Maeda quer Alissia,
Nós não vai ter pobrema de dinheiro,

Né?”. Então foi que pedi pra ver-lhe a piça.
Ficou passado, os oio arregalou,
Mas concordou. No biombo de treliça

O moço se escondeu, cueca tirou
(Reparei masturbar-se a silhueta)
Quando sentiu que o trequinho aumentou

O suficiente, graças à punheta
Pra mixaria não fazer vergonha
Pediu-me que lhe mostrasse a boceta.

Mostrei. Saiu do biombo em franca bronha
Falei: "Tira essa mão, deixa ver isso".
Tirou...  Não era a benga com que sonha

Mulher que passou por longo suplício
Por longos dias de total jejum
Não ia ser ali que eu dava um piço.

Eu gargalhei que até soltei um pum
"Mas, Seu Maeda, que puta mixaria."
Nervoso, ele riu muito, soltou um

Peidinho também, tudo o que eu queria.
"Seu japonês seboso, esse teu cu
Tá cantando por quê? Será, seria?"

Parti pra cima do japinha nu
Dei dois tapas na cara, pus de costas
Soquei dedo no toba, ele fez "uh"

E chorou de emoção. Eu pensei: "Gosta".
Xuxei bem demorado, e o meu dedo
Quando tirei, unha cheia de bosta.

O japonês me olhou cheio de medo,
Pediu perdão, pra eu nunca falar nada:
Por isso era Maeda, e não Maedo.

Comecei mal, na primeira trepada
Uma coisica mixa e um cu sedento.
Então me senti muito desgraçada.

Pra que tu morreu, Carlos, desgracento?

 

 

 


 

 

A pedra filosofal do operariado pós-industrial

do prefácio de Ademir Demarchi para o romance Companhia Brasileira de Alquimia

 


Que o leitor acostumado com ficções urbanas, misérias, crimes e histórias de amor, que

são marca da literatura contemporânea brasileira, se prepare: saiba de antemão que,

diversamente, este romance se passa dentro de uma indústria química multinacional, em

meio a fornos, máquinas e produtos químicos e num tom irônico de narrativa, sem cair

no cacoete da idealização romântica de esquerda dos operários. Herzog faz pela

literatura o que Carlão Reichenbach fazia no cinema: Carlão, inovando nos temas do

cinema nacional, tirando o foco das greves e operários que urdiram Lula, mostrava a

vida das mulheres operárias do ABC, numa atitude voyer que as punha lindas nas telas,

trabalhando nas fábricas, se trocando de seus uniformes e passando maquiagem,

respirando em carne e osso e vivendo seus dramas na periferia como se estivessem no

centro do mundo, ainda que fosse na periferia do capitalismo. Já, neste romance, ainda

que se fale bastante de mulheres, mostradas como tontas românticas, um tanto como

objetos de uso e passatempo do narrador, um operário bipolar com veleidades de se

tornar escritor, o interesse maior está nos operários, tema que a literatura brasileira

contemporânea ignora.  É o seu modo de pensar, falar e agir, como se submetem à

escravidão das horas de trabalho, que chama a atenção. Diferentemente do cinema,

porém, aqui, conforme já observado, o tom da narrativa é irônico, possibilitando várias

risadas, vindas tanto do modo esdrúxulo do narrador quanto do modo de falar e agir dos

personagens que proliferam e trabalham irresponsavelmente na tal fábrica e em nada

mais lembram aqueles compromissados com a revolução urdidos em décadas anteriores.

O narrador dá provas explícitas de que fez o serviço militar de leitura machadiana e de

outros autores que lhe são caros, como Bukowski e Reinaldo Moraes, este citado ou

pastichado em vários aspectos do seu romance  Pornopopeia. Cubatão, também nas

rebarbas do capitalismo, aparece aqui sem suas habituais misérias sociais, ainda que

presentes no subtexto. Ela foi uma cidade que ficou conhecida por  fabricar crianças

sem cérebro no período pós-ditadura, devido à poluição química em nome do

desenvolvimentismo a qualquer preço que apregoava um Brasil Grande, formação de

bolo e poupanças para um futuro promissor que parecia estar no horizonte como o

paraíso. Esse final deslumbrante da utopia militarista parecia se fundir com aquele da

esquerda, embora ambos fossem por distintos e conhecidos caminhos que se chocaram e

deram em nada, como era de se esperar. Daí que continuamos aqui, onde eles se

encontram representados nessa fábrica do romance, com o tal horizonte colorido

prometido, agora embaçado e coisificado no marketing de que o país é a sétima

economia do mundo, já disputando o lugar da Inglaterra, mas sentado em cima da

herança nefasta da miséria. Incrustada, pois, neste presente industrial pós-utópico com

seus altos fornos está a indústria química pesada que é a Companhia Brasileira de

Alquimia, inaugurada na data sutil de 31/3/1964, assim como são sutis outros dados em

sua relação com a realidade. A CBA é focada na produção de... pedra filosofal, um

insumo básico exportado para a produção de... ouro, e cujos insumos básicos são

mercúrio e amianto, banidos dos países desenvolvidos por serem altamente tóxicos, mas

usados aqui por muito tempo, resultando em cânceres pulmonares, anencefalias,

desertificação do meio ambiente, poluição da água com mercúrio e metais pesados,

descarte de produtos químicos e venenos em terrenos baldios depois ocupados por

favelas... No coração da fábrica, como tantos outros homens perdidos e alheios aos

processos industriais agora supostamente automatizados, está o Poeta, esse personagem-narrador descrente de tudo, cínico com sua própria condição de proletário (“que ganha

sete pau”) “numa fábrica onde ninguém é companheiro de ninguém e um quer mais é

fuder o outro”, que se aproveita do ócio no trabalho para bate-papos na internet,

sacanear os colegas, ler livros clássicos, ouvir música brega, ou escrever esse romance

que é irônico também com a própria linguagem - “litegatuga compagada”, enquanto

toma um e outro “preto recém passado no saco”, vulgo cafezinho.  Como um Faustinho

medíocre que flexiona tanto saberes literários de notas de rodapé quanto ignorâncias

vergonhosas (como pedir, por estar mais barato no cardápio, vinho de sobremesa em

lugar de vinho mesmo), o Poeta, como um Pateta, lida com enxofre na fábrica como se

estivesse no Inferno imaginário de um dos livros que lê, convivendo com gente de

nomes sugestivos como Chumbinho, Cabeça, Longue Djon, Cavalo-do-Índio, Cara-deCavalo, Boceta-Apertada, Bracinho-de-Vitrola. A primeira frase do romance, em se

tratando de um proto-químico que é esse Poeta, já começa irônica: “Acordei ácido” – e

se abre para a degeneração da linguagem, dos costumes e da própria ética do trabalho,

derruídos por esse processo industrial coisificador tal como está organizada a sociedade

que, de bom, parece produzir apenas romances. – *Ademir Demarchi

 

 


 

Livro: Dec (ad) ência

Autor: Manoel Herzog

Gênero: Romance

Número de Páginas: 250

Formato: 18x25

Preço: R$ 50.00 + frete

 

 

 


 

Livro: Sonetos de amor em branco e preto

Autor: Manoel Herzog

Gênero: Poesia

Número de Páginas: 130

Formato: 14x21

Preço: R$ 38.00 + frete

 

 

 

 


 

Livro: O evangelista

Autor: Manoel Herzog

Gênero: Romance

Número de Páginas: 192

Formato: 14x21

Preço: R$ 38.00 + frete

 

 

 


 

Livro: A comédia de Alissia Bloom

Autor: Manoel Herzog

Gênero: Poesia

Número de Páginas:
100

Formato:
14x21

Preço:
R$ 35.00 + frete

 





 

Livro: Companhia Brasileira de Alquimia

Autor: Manoel Herzog

Gênero: Romance

Número de Páginas:
420

Formato:
16x23

Preço:
R$ 19,90 + frete