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Homero Gomes

HOMERO GOMES

 


Homero Gomes, autor do livro Solidão de Caronte, nasceu em 1978 na cidade de Curitiba, onde trabalha, estuda e escreve. Entretanto, dentre os papéis que interpreta o que desempenha com mais satisfação é o de compartilhar a existência com Ana e Amanda, pois sem elas não estaria vivo, seu existir não seria vida. Porque é no olhar delas que vê a si mesmo e encontra amparo na solidão para trabalhar como professor de literatura e língua portuguesa e como editor de materiais didáticos, estudar os romances publicados durante os governos militares no Brasil para o mestrado em Estudos Literários da UFPR, e escrever, que é sua atividade principal, sua maneira de agir sobre o mundo, pretendendo imbricar-se nele seja como poeta, cronista, ensaista ou ficcionista. Por isso, nos últimos anos, colaborou com Rascunho, Cronópios, Cult, Germina Literatura, Ficções, Zunái, Nego Dito, TriploV, Relevo, entre outros. Além de manter, atualmente, coluna em veículos de cultura e literatura, como Musa Rara, Página Cultural, Mundo Mundano, Mantovani e Samizdat.
Solidão de Caronte é seu primeiro livro a sair do ineditismo, após oito anos de trabalho na construção dos versos aqui apresentados.

 

Contatos:

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Conheça 03 poemas do livro Solidão de Caronte, de Homero Gomes:

 

 

Sísifo



II – Passo em falso


O rosto esfolado no chão
E as narinas entupidas de lama.

Sem sustentação a rocha cai sem peso sobre a nuca,
Que permanece esmagada por palavras.

 

***

 

A Vereda se Encheu de Pedras



A vereda se encheu de pedras que brotavam no borbulhar dos pés.

As pedras cuspiam espinhos
– nuvem de dor ao redor da visão –,
a pele rasgou no caminho:
pedaços da história deixando marcas.

A vereda no meio das pedras.

Os olhos fecharam para supor destinos,
os dentes cravados nos lábios:
a voz e o grito presos dentro das pedras.

Os nervos endureceram espinhos.
A vereda borbulhou de pés.

Pegadas de dor sobre a vereda marcada de história.
Pois a vereda se encheu de espinhos.

Nos olhos cansados, a vereda de restos num campo de pedras.
A vereda se fez com pegadas que deixaram de borbulhar nos pés.


***

 

Prometeu



ele falava do que conhecia
sentia nos pelos de seu corpo o torpor das almas desorientadas
sua voz ecoava pelo vale

amordaçado
pretendem matar a voz

inoculou no sangue humano
o desejo

amordaçado
pretendem deter o vírus

a importância da voz
e de sua reverberação pelos espaços

amarram pés e mãos
prendem seu corpo a uma montanha úmida e nua
tapam-lhe a boca
corda e violência

o vírus
que se espalha
enquanto escorre o tempo

amordaçado
pretendem anular os atos inoculados nos homens

 


 

Livro: Solidão de Caronte

Autor: Homero Gomes

Gênero: Poesia

Número de Páginas: 100

Formato: 15x20

Preço: R$ 30,00 + frete