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Gabriel Resende Santos

GABRIEL RESENDE SANTOS

 


Autor do livro Elevador, Gabriel Resende Santos nasceu no Rio de Janeiro em maio de 1994. Acredita em Rimbaud e Whitman, mesmo sem assumir religião. Já apareceu em antologias e revistas como Germina, Diversos Afins e Mallarmargens. Escreve no blog Occam, big bangs & outras explosões (http://hope-landic.blogspot.com). Traduz de vez em quando.

Contatos:

Skook de Algarobas Urbanas

 

 

Conheça 04 poemas do livro Elevador, de Gabriel Resende Santos:

 

guia completo do homicídio prático


Não basta cuspir a navalha
Não basta mentir os canais vocais e auditivos
Nem pressionar o tórax do passado
Ressuscitando infames esculturas
De ainda mais infames autorias.
Não basta.

É preciso roubar-lhe a máquina
É preciso roubar-lhe os cadernos e guardanapos
É preciso roubar-lhe todas as cores
Certificar-se de todas as revistas
Certificar-se de todos os jornais
Certificar-se de todas as edições independentes
Dos blogs dos e-mails dos depoimentos afetivos.

É preciso matar a memória
Dos amigos mais queridos.
Matar as cartas e os segredos
Nas vistas sem luz.
As leituras gravadas no rádio
Ou apenas de ouvido.

É preciso queimar suas fotos
E deletar seus arquivos.
Usurpar os restos vivos
E lançar nos abismos.

É preciso que tudo volte a ser como era:
Uma folha em branco
E nela o Futuro se acomodando
Na sala de espera.


***

 

pétalas


a pétala
só precisa de si mesma. quedando
pétala
sobre pétalas igualmente.
nada equivoca o sentido da pétala.
os comprimidos pretos
e as luzes ofuscantes. os primeiros rascunhos
e rasuras. nada
a desmistifica tanto quanto a pétala. perguntam-me:
ela tem nome
ela tem vida
tem modus operandi
quantos minutos tem a pétala
quantas cores
quantas sílabas. perguntem à pétala
e não esperem resposta. a pétala
não tem dentes nem sentidos
e sob as pálpebras há apenas pétala. a incontestável
pétala. nunca insegura. reforçando
algum fenômeno escarlate.
nos meus olhos. no meu cisto. a pétala perdendo sutilmente
a atmosfera de flor. invisível.
no espelho infinito das irmãs: sempre
segura. inequívoca. única.
e pétala.

***

 

explicar

Borboletas furiosas
invadem minha privacidade: extrair segredos
que souberam das folhas.

Peço que saiam. Com delicadeza.
Mas elas me fuzilam: o que significa essa di  agr  ama  ção
essa TIPOGRAFIA
essa questão metalinguística:
explica o poema fora do poema
explica a lagartixa o tigre o grifo
explica os segredos do fracasso.
Atiro uma receita de remédio
para os problemas de fibra
e acerto o coração lepidóptero. Ela pousa
meio trêmula
azulada
não pela morte
mas por uma fria ignorância.

Os segredos eu não conto
para nenhuma fúria.
No máximo aponto – sem autocalúnia -
o que me redescrevo.

***

 

tiranossauro



a história é assim:

quando acorda no filme de terror

o sonho termina

você acorda

o filme de terror ainda está lá

você acorda

o sonho termina quando

o filme de terror no sonho

acorda você

o sonho ainda está lá

o filme de terror é assim

você termina

 


 

Livro: Elevador

Autor: Gabriel Resende Santos

Gênero: Poesia

Número de Páginas: 120

Formato: 14x21 - acabamento em capa dura

Preço: R$ 37,00 + frete