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Fátima Brito

FÁTIMA BRITO

 

Autora dos livros Entre o elevador e a praça (Patuá, 2012), título premiado pela Secretaria de Cultura de Atibaia e Segredos e prazeres (Patuá, 2017), Fátima Brito é professora de Português do ensino médio e cursinhos pré-vestibulares, é especialista em Globalização e Cultura. Autora premiada em concursos literários, é leitora assídua de Franz Kafka, Graciliano Ramos, Dylan Thomas, Guimarães Rosa e Jorge Luis Borges. Integra o coletivo Quatati, de produção e divulgação de literatura: http://quatati.blogspot.com.br/

 

 

 

 

 

 

 

Contatos:

Skook de Algarobas Urbanas


Conheça 1 conto do livro Segredos e prazeres, de Fátima Brito:

 

ALMA



Que espelho mostraria sua melhor face?  Desde a manhã anterior, quando Natanael se despedira dela, saindo calmamente pela varanda,  aquela pergunta martelava sua cabeça e ela sentia que aquela insistência poderia significar algo mais. Talvez o começo do fim da caminhada que empreendia sozinha desde que o pequeno Gabriel se fora.


Na casa, havia um espelho em cada cômodo, exceto em um. E, neste, ela, nos últimos anos, evitava entrar. Lá lhe aparecera o anjo ruivo, com voz áspera, dizendo:” Ele morreu. O sol morreu enforcado pelo mundo, pois lhe faltou a força do mago concebida pelo universo fecundando o corpo da mulher órfã. Não haverá justiça.” Justiça! Essa foi a última palavra que ele lhe disse, antes de desaparecer, envolvido em vapores azuis e lilases, do quarto que, desde então, ela nunca mais abriu. Precaução insuficiente, pois, mesmo trancada a porta, a voz, martelando aquelas palavras,  persistia em sua mente.


Após um tempo, ela decidiu que aquela não podia ser a voz de um anjo. Não, não foi  a voz de um anjo. Um anjo não lhe teria cuspido palavras tão rudes e com voz tão áspera. Um anjo não a teria deixado sozinha, outra vez sem chão, quase sem esperança, entre lágrimas e ânsias de vômitos. Ela passou a odiá-lo, mas não conseguia deixar de sonhar frequentemente com ele. Os cabelos cada vez mais ruivos, a pele cada vez mais branca, os olhos brilhando sempre mais, como pequenas jabuticabas de fogo, inebriantes. A voz? A voz querendo sair, mas, agora, impedida, por iniciativa de Alma, de lançar novas mentiras, sequestrando a paz que restava em sua vida. As palavras permaneceriam reboando entre as quatro paredes daquele quarto maldito. Trancafiadas  com ele.


A chave foi entregue à diarista. “ Por favor, Grace, não me interessa saber nada sobre esse quarto, só quero que você o limpe uma vez por mês, mantenha fechadas suas janelas e tranque de novo a porta, passando as duas voltas da chave. Lembre-se, querida, não me diga nada sobre esse quarto e não me faça perguntas...”


Assim, nunca mais soube do que se passava naquele ambiente. Rachaduras, mofo, barulhos incomuns, cheiros, nada. Nada que ocorresse ali lhe dizia respeito. Aprisionado o anjo ruivo, ela continuou ocupando, com a tranquilidade que lhe era possível, o resto da casa e, com o tempo, foi adquirindo em relação ao quarto  a indiferença que se tem em relação a uma  ilha herdada de pais ausentes já muito antes de suas mortes,  pais a quem nunca se amou e por quem nunca se foi amada.


Mas, pelo resto da casa, nutria veneração. A mesma veneração que  temos em relação ao pedaço de terra onde  deixamos nossos melhores passos e ouvimos os gritos alegres da infância de filhos queridos, ensolarados, e abruptamente afastados de nós. Nesse pedaço de terra, ela havia plantado e regado seus melhores sonhos, hoje quase enterrados, mas ela vislumbrava possibilidades. Aumentadas quando visitada pelo anjo loiro.


Em geral ele vinha de madrugada; no começo, ou no fim da madrugada. E a apanhava sempre acordada, pois, deitada na cama larga,  ela percebia, muito antes de ele aparecer, sua presença. Um frio na espinha, um desejo de rir e de abrir as janelas e de anunciar para a vizinhança palavras como “estou aqui, estou aqui, vocês não gostariam, mas, sim e sim, eu voltei, estou aqui e conheço todos vocês, suas covardias, seus egoísmos; hipócritas, nojentamente hipócritas...” E ela nunca resistia a essa vontade. Sim, abria as janelas, escolhia alternadamente uma delas e libertava essas palavras. Nem sempre as mesmas, mas sempre liberadas como um jato de vômito que desintoxica o organismo. Nunca quis gritá-las. Bastava dizê-las com calma, sem pressa, em um ritmo monocórdio, como em um mantra.

Ele chegava e sentava-se sempre na mesma poltrona e ficavam assim, em silêncio, como se não houvesse nada a dizer um ao outro e talvez não houvesse. Mas ela precisava tanto ouvi-lo. A mansidão daqueles olhos parecia abrir canais em Alma e escorrer por eles como um bálsamo suave que a fazia renascer. Só então, após esse lento ritual, ele lhe dizia aquelas palavras que a faziam crer na possibilidade de retorno do filho desaparecido ainda criança aprendendo a caminhar. Ela sempre chorava diante dos segredos que lhe contava o anjo: ele estava bem, havia se casado, tinha filhos, era feliz, sentia sua falta, nunca a havia esquecido, lembrava-se de quando dormiam juntos e ele tocava seus cabelos com aquelas mãozinhas que sequer conseguiam segurar direito a mamadeira, cantava pros filhos a mesma canção com que ela o fazia ninar, queria vê-la, o que mais queria na vida era vê-la, e conversar com ela e pedir-lhe conselhos...


Alma passava horas ouvindo Natanael, até que o dia raiava,  Grace chegava e o anjo saía apressado como se a presença de outra pessoa na sala  lhe fosse muito danosa. Mas logo a pressa dava lugar de novo à calma e seus passos tornavam-se lentos como se tivesse toda a eternidade para atravessar a parede que o levava à varanda de onde  ganhava os céus. Nunca havia descumprido a promessa tantas vezes repetida de voltar.


Naquela manhã, de modo especial, talvez devido à pergunta martelando em sua cabeça, incomodava-a a opção de não lhe contar sobre o anjo mau, talvez não fosse um anjo mau... Mas ela temia que, por algum motivo inacessível à sua capacidade de entendimento, Natanael rejeitasse a presença de outro anjo ali e resolvesse não mais voltar. Talvez ele lhe pedisse para soltar o colega. “Anjos não devem ser aprisionados, Alma. Anjos devem voar livres cumprindo a missão que lhes cabe.” Mas não!  Ela não resistiria à presença do anjo ruivo voando por sua casa, insistindo naquelas mentiras, sorrindo com aqueles olhos de fogo. Não contaria a Natanael. Não contaria a ninguém, como não contou nunca a ninguém sobre anjo algum. A quem contar?   Não tinha a quem contar.


Há muito optara pela solidão. No começo, filha única com pai e mãe vivendo no exterior,  fora submetida à solidão. Dedicava-se apenas aos estudos e às regras impostas pela tia avó, única pessoa que se dispusera a encarregar-se dela. Depois, o primeiro namorado, a gravidez, o casamento apressado diante do juiz e com testemunhas  e padrinhos arrumados de última hora, a descoberta dos vícios do marido e de seu mau-caráter, o abandono. Ficou só. Ela e o bebê sós. A tia avó, coitada, não resistiu a tanta desgraça, morreu antes de o bebê nascer, deixando-lhe, além de boas lembranças de momentos de carinho e dedicação, uma grande herança. Assim,  Alma nunca se preocupou com dinheiro.


Com a gravidez, interrompeu os estudos e passou a dedicar-se à construção da mãe que queria ser. Nada mais lhe importava a não ser isto: ser mãe. Contratou enfermeiras que lhe prestaram a assistência necessária nas últimas semanas de gravidez e nas primeiras semanas após o nascimento de Gabriel. Mas logo dispensou qualquer ajuda externa. Parecia ter nascido para cuidar de Gabriel, estava no seu sangue e, assim, foram crescendo ambos. Como sol e planta, planta e terra, planta e água. Ambos ocupavam simultaneamente os três papéis e foram fortalecendo-se. Ele era um facho de luz, tinha o sol entranhado em suas veias. Ambos se faziam ninar e ela lhe cantava canções que jamais imaginara existir.


Ficou feliz quando recebeu a notícia da morte dos pais. Gabriel já tinha quase dois anos e eles ainda não tinham encontrado tempo de vir visitá-lo. Mas não suportou a notícia do retorno de Sílvio, ausente desde os primeiros meses da gravidez. Sílvio parecia trazer em si a força do mal. Os últimos meses juntos  haviam sido os piores da vida de Alma. Ele assumiu sua condição de viciado despudorado,   capaz de matar a própria mãe pra comprar suas drogas, que ela era obrigada a pagar sob pena de ser fisicamente agredida. Nos últimos tempos, ele vivia fora de si, com olhos cada vez mais vermelhos e cabelos ruivos sempre desgrenhados contrastando com a pele branca típica dos que abominam  o sol.


Haviam se passado oito noites desde seu retorno quando, em condições abomináveis, completamente fora de si, ele resolveu possuí-la. Deitou-se a seu lado na cama com aquele cheiro de uísque misturado a cocaína e começou a tocá-la. No começo, ela teve náusea, mas, pouco depois, algo estranho começou a ocorrer. Ela foi amolecendo como se estivesse perdendo os sentidos, como se estivesse prestes a desmaiar, entrando em transe. Era como se alguém muito diferente de Sílvio estivesse sobre ela. Sentiu que algo muito diferente e grande estava acontecendo, não era um orgasmo como todos os até então já experimentados. Era algo indefinível. Quando o homem saiu de seu corpo, ela se sentiu prenha. De vida.


Ele, por outro lado, pareceu tão amansado como um vira-lata, já tão chutado que não consegue esboçar outra reação exceto retroceder e retroceder frente a qualquer ameaça. Levantou-se, encheu uma mochila com duas ou três peças de roupas e ganhou o mundo. Alma sabia que, naquele instante, iniciava-se uma nova vida pra ela e pra Gabriel.


Os quatro anos vividos sozinha com o filho fluíram como uma brincadeira de crianças que usufruem da felicidade sem saber que usufruem da felicidade, concentradas que estão na seriedade da diversão. Foram pura dedicação e alegria.


Tudo foi assim até que Sílvio voltou e caiu como uma bomba na vida de mãe e filho. Ela precisava fazer algo por Gabriel e por si mesma. Não aceitaria patética que ele voltasse e os esmagasse com seu inferno. Queria fazer algo e, durante os pouco mais de dois meses que o pai do garoto permaneceu com eles, ela concebeu o melhor plano de sua vida: planejou passo a passo como exterminar aquele mal. Ter concebido tudo em silêncio, absolutamente sozinha, a deixava ainda mais eufórica.


Apenas Natanael e o anjo mau sabiam de tudo, em detalhes. Eles sabiam de tudo sobre sua vida, mas ela não contara a um sobre o outro. E não contaria. Quanto ao anjo aprisionado, não se sentia traidora, mas o peso de esconder algo de Natanael lhe doía.
Grace  nem bem acabara de entrar e já se podia sentir o cheiro de café na cozinha. “Dona Alma, vem tomar uma xicrinha que tá no ponto.” “Agora não, Grace, deixa pra daqui a pouco, preciso antes resolver umas coisas.”


Foi até o quarto e retirou do guarda-roupa que mantinha intacto há tantos anos o xale amarelo com que envolvera o filho no caminho da maternidade para casa. Envolvida com ele, atravessou a porta que levava à varanda por onde Natanael desaparecera ainda há pouco. Sentou-se na cadeira de balanço em que sua tia sempre se sentava quando tinha algo importante a decidir e, ali, passou todo o dia, ora entoando canções de ninar, ora vomitando discursos mântricos contra a vizinhança que no fundo nem conhecimento tinha de sua presença.


Recusou o almoço que Grace lhe preparou, recusou o chá da tarde e despediu-se monocordicamente da moça, que saiu daquela casa com a cabeça pesando e com a sensação de que algo andava muito mal. Pela manhã, ao limpar o quarto que ela se habituara a chamar de quarto proibido quando contava a história pras amigas e parentes, percebeu, mais do que de outras vezes, ruídos estranhos e até parecia que havia um cheiro muito esquisito, juro que tinha esse cheiro que eu não sei direito o que é, mas tinha sim, sei muito bem do que estou falando...


Alma só retirou-se da varanda quando viu a lua cheia como uma bexiga amarela já alta no céu. Sentou-se na poltrona tantas vezes ocupada por Natanael. Invocou-o em pensamento e em palavras. Mas ele não veio. Insistiu no chamamento até o início da madrugada e, à medida que constatava seu desprezo, sentia o quanto o estava ofendendo ao esconder-lhe a existência do outro e via aumentada a certeza de haver só um caminho a tomar.


Passou pela biblioteca de livros nunca lidos e dirigiu-se à prateleira mais alta. Com ajuda da pequena escada que, desde os tempos da tia, ficava estrategicamente colocada atrás do sofá para quem precisasse usá-la, alcançou o livro mais volumoso de todos e puxou-o, deixando à mostra a mesma arma que segurara tão fervorosamente quando concebera o melhor de todos os seus planos. Aquela arma teria garantido sua autonomia com Gabriel, teria garantido que os dois ainda hoje vivessem felizes juntos e que ela cantasse canções para os netos e que desse conselhos a todos. Mas uma arma agira antes. Uma arma tinha arrancado de Sílvio a vida que ele não merecia ter. A polícia dera por decidido que traficantes haviam feito aquilo. Mas quem, quem havia carregado Gabriel como troféu?  Não bastava o sangue de Sílvio, os buracos na testa e no peito?


Devagar e calma, desceu da escada. No chão, confirmou a presença das duas balas que ela comprara na manhã da morte do marido. De arma em punho, passou por todos os cômodos da casa, detendo-se diante de cada espelho. Que espelho mostra mesmo sua melhor face. Sentia-se fraca, mas sem fome e sem sede. Sabia que precisava ter coragem por ela e por Gabriel. Se ela não fizesse aquilo, nunca mais teria notícias do filho. Respirou fundo, então.


Passos rápidos, dirigiu-se àquele quarto.  No fundo, sempre soubera que a chave de qualquer quarto da casa abria a fechadura de todos os outros. Mais cedo ou mais tarde, sabia que se valeria dessa informação. Era chegada a hora.


Arrepiou-e quando enfiou a chave no buraco. Pareceu-lhe ouvir barulhos, ruídos sufocados. Deu a primeira volta. Sentiu enfraquecer-se, como se o chão voltasse a lhe faltar. Precisava prosseguir, por ela e por Gabriel, não podia prescindir da presença do anjo e não poderia ofendê-lo com a traição de não lhe contar toda a verdade sempre. Deu a segunda volta. Os barulhos aumentaram, como se móveis estivessem sendo arrastados.


De repente, um barulho intenso, assustador. Sem poder conter a ansiedade, ela gira a fechadura e empurra a porta. No chão, um grande espelho espatifado; do lado, olhos vermelhos e cínicos.  “Não lhe falei para não confiar em ninguém, Alma. Grace andou fazendo algumas arrumações por aqui... Mas nada do que ela tenha feito, nada do que alguém venha a fazer, nada do que o outro anjo diga mudará o fato de que você não o terá de volta porque ele morreu. O sol morreu, querida e Natanael é um mentiroso. Confie em mim...”


Antes que ele começasse a rir de novo, ela aperta o gatilho e dispara, bem na testa. O segundo, atinge o peito. E ela, então, o vê caindo na mesma posição tomada pelo corpo de Sílvio. E o quarto vai se enchendo de sangue como se enchera de sangue com o outro assassinato, o de Sílvio. Quase automaticamente, tomada por aflição, ela repete o mesmo movimento daquela manha: dirige o olhar para o berço. E, rosto aberto, sorri. O menino está ali. Gabriel está ali.


Ela corre até ele e o retira devagar como se não tivesse esperado tanto por aquele momento. Um beijo na testa, um abraço suave para não assustar o bebê, e uma alegre canção de ninar para ele afastar de sua alma tão pequenina o grotesco daquela cena. Dirige-se à varanda enrolando-o no mesmo xale amarelo. Passam a noite ali, entoando um para o outro as mesmas canções de ninar.


No dia seguinte, Grace assusta-se com o silêncio da casa, mas entra. Encontra aberta a porta do quarto proibido e manchas de sangue que iam além dos estilhaços do espelho quebrado, mas concentravam-se ali, não apareciam nos outros cômodos. Busca desesperadamente por Alma, mas não a encontra. Dirige-se à saleta preferida da patroa. Senta-se na poltrona do anjo Gabriel e liga para a polícia. Inicia-se, assim, a busca por Alma, que havia morrido há tantos anos.

 

***

 

Conheça trechos dos contos do livro Entre o elevador e a praça, livro premiado pela Secretaria de Cultura de Atibaia:

 

Trecho do conto “Inventário”


"Quando tinha o rosto liso e os cabelos todos negros, e os olhos, ainda que cínicos, brilhantes, já sabia que a vida era guerra. E guerra por pouco mais de um monte de carniça. Não nasci pra vencido. Resolvi ganhar. E assim tem sido desde que sou moleque. Ainda hoje quero distância dos derrotados. A derrota é um estado de espírito dos que acreditam que não podem mais mudar o rumo. Não podem. Nunca me senti derrotado. E hoje, quando vi aquela luneta abandonada, enxerguei instantaneamente um novo caminho."


[...]

***


Trecho do conto “Reencontro: desencontro”


"Tchau.


O salto alto ecoou até o elevador, onde me vi retratada com minha melhor roupa de cada dia. A saia preta básica era parcialmente encoberta por uma bata em que o salmão e o branco se sobressaíam; nas orelhas brincos de argolas douradas à mostra; a tiracolo, uma bolsa discreta e cara. Não mostrava o peso que carregava. Não me reconheci na imagem refletida. Não me reconheci quando minutos atrás ouvi: preciso falar com você. Preciso falar com você hoje sem falta. Eu já sabia de que se tratava. Mas não acreditava que ele conseguiria. Covardia ou bondade? Não teria força para tanto.
Sete horas da manhã o metrô não estava tão cheio, mas havia pessoas em número suficiente para incomodar. Sentei-me na janela. Não havia nada melhor a ver que minha própria imagem, naquele dia envelhecida. Uma imagem que não me pertencia. De verdade, não me pertencia. Lembrei-me do ocorrido há cerca de um mês."

[...]

 

***

 

Trecho do conto “Uma encruzilhada sem cão”



"Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo. Ele era quase mudo, mas dizia tanta coisa. Uma das coisas que, me lembro,ele dizia muito,com algumas variações, é isso. E isto: Bendito é o anjo das encruzilhadas que tornou tão cheio de pontos de encontro esse lugar tão grande. Há trinta anos, quando eu cheguei, tudo era muito diferente. Não tinha esse monte de prédio, era tudo mato. A praça surgiu logo no começo e com ela vieram alguns vizinhos e botecos e pontos de ônibus. Mas aquela mulher veio muito depois."

 

[...]

 

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Livro: Segredos e prazeres

Autor: Fátima Brito

Gênero: Contos

Número de Páginas: 140

Formato: 14x21

Preço: R$ 40,00 + Frete (Livro em pré-venda. Amigos e leitores que realizarem a compra antes do lançamento receberão o exemplar autografado após o evento. Imperdível!)

 

 

 

 


 

 

Livro: Entre o elevador e a praça

Autor: Fátima Brito

Gênero:
Contos

ISBN: 978-85-64308-37-4

Número de Páginas: 176

Formato: 14x21

Preço: R$ 30,00 + Frete