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Charles Marlon

CHARLES MARLON

 

Charles Marlon, autor de Poesia Ltda (Patuá, 2012), Sub-verso (Patuá, 2014), Re-trato (Patuá, 2016), La Siesta sobre Cuchillos (La bodeguita, 2017) e Aqui: este breve intervalo (edição do autor, 2017), participou de algumas antologias, entre elas a do 21º Encuentro Internacional de Poetas (Zamora, México) é poeta, mestre em Literatura Portuguesa, tendo estudado a obra de Rui Pires Cabral e doutorando em Estudos de Cultura pela Universidade de São Paulo. Nasceu no dia 10 de julho de 1990, em Osasco. Um outro canceriano sem lar. É pai da Louise.

 

 

Contato:

Skook do livro Incensário

 

 

 

 


Conheça 5 poemas do livro Quarto, de Charles Marlon:

 

 

Rotatória

 

A luz faz a sombra sobre
a amurada toldada.

Não estou a falar, ainda, de
edifícios, isto é, e pensando

bem, talvez nem seja.
Ao largo, fora o que se

repete, o horizonte com-
parece apenas nos intervalos

do concreto. Sono: assunto pros após-
tolos que dele pouco

- ou nada - sabem. Vigília: uma
planície vasta e devastada onde

algo se emaranha. Pendura-se
pingente pungente, a imagem

de um general
-morto há muito-

dedo ainda em riste e
já sem voz.



***


Felis

“É só um animal./que não faz/nenhuma/festa.
E se engasga/com seu/bolo/de arestas.”

(Eduardo Lacerda)

 

Ida-
de:

aquilo que (por quilo
quase) nos torna aptos

a errar mais e pior e
a aprender

que o amor é
emergência,

mas nunca saída.
Awkward, o desastre

não é a queda, mas a mão
que esbarra bandeja, que

derruba a vidraria já
meio vazia pela

falta de um furor ferino,
felino que soubesse amar

menos e
melhor.



***




“Não era já a morte: era um desmaio”

 

Mal vedado,
o hálito noturno

-tudo é fresta-

e a sonolência de ruas
que só despertam

aos poucos; os corpos

apartados, apenas,
se muito,  mais tarde.

Que dizer de caninos
que passam insones

ao relento dos minutos
e (a)guardam inquietos

sonos?
Estampas, móveis,
imitação de madeira e mar-

fim, outro tipo de ouro,
o horror; o horror e outras

artes, prato que se come
frio nas letras demasiado

neutras do jornal matu-
tino.  Sem saber se mais

seca a garganta ou o per-
curso até a torneira, com-

porta a cama, como um leito
rachado: lembrança, zona

úmida. Através do vidro
tudo. Futuro:

a curva, após a última
curva, movimento uni-

formemente variado,
parte que cai em queda
livre; não

aquilo que se quer,
aquilo que se dá.

 

***

 

Turnê
para o Leandro R. Perez

 

A dura ação do
tempo, a fatal

junção de tudo,

o que fica incompleto,
ou antes
ou depois,

a-
pós,

a duração do
espetáculo, balu-

arte último da
civilização:

outra selva
de palmas

a palmilhar
- de perto –

o deserto.



***



Episódio piloto:
apartamento.

 

Armada para o inverno
a pele procura pousar
epiderme em epiderme

-a epidemia de todo os
desencontros- a navegação,
a negação de naufragar, man-

tendo-se a tona só a muito
custo, prejuízo a perder de
vista; que esperar de nós

meras geografias montanhosas,
vezos de relevos irrelevantes
que se não atravancam cotovelos

não abrem –tampouco –
para outros pousos?
Me bas-
tava, por ora, um quarto, em que

nada levasse a nada
e eu fosse um fóssil:
ninguém.

Um lugar que com-
portasse todas as
portas trancadas

atrás de escadas
íngremes em todos
lados, ponto onde

eu
não
conto

e que pudesse me deixar
ao escuro, como, entre
outros, um satélite confuso

em colisão com
a própria rota,
embalado pelo

som de um ponteiro,
que se pressente,
vagabundo.


A companhia fria:
a calefação cadáver
na entranha do prédio

morto, destroço apenas
de pé por pouco, a a-
guardar o golpe ful-

minante,
variante
que não

virá.

 



Conheça 3 poemas do livro Sub-verso, de Charles Marlon:

 


There is no higher life


Quando assistíamos filmes,
tardes inteiras,
sob o véu da porta trancada,
os que nos levariam, inclusive,
a gostar,
entre
outras coisas,
do que viemos a conhecer depois,
te dizia, e
rias, que pintarias quadros
e eu trabalharia para nós-
os dois-

Outras tantas tardes,
em meu mesmo quarto, virado
pro lado da rua, coberto
de re-
cortes, poeira e de tudo
o que também era incerto e
vago,
nos púnhamos a ler-
sempre um consolo provisório
pro nosso eterno e mudo
medo do mundo.

E o futuro, amigo, sim, era mesmo isto,
este remorso e esta angústia que nem ao menos
escolhemos de todo.

Um catador passa organizando
sacos pretos na calçada, prenúncio
de caminhão por passar, e é como se
dissesse:

-This is the only life there is.

***

 

Conversaciones nocturnas

 

O poema ao
pôr-se na
página está
a perder-se
a disperdiçar-
se

e é como se
houvesse- agora-
amor de menos
para com a tua
voz belicosa. E
sei

que em tempos
de guerra, o
coração –desejoso-
de bater cansa
e- de cansaço-
pede

mais.


***

 

Mantém-se a chá e pão!

 

A vida – ou o que depois
aprendemos a chamar acaso –
a acumular-se por sobre o pó

de entre os livros (dis)postos em
fila dupla.Não sei ao certo se rece-
beste minha última mensagem,

há dias a rua anda inquieta e movimen-
tada, como um cão a coçar-se de pulgas;
há um volume encoberto por folhas

de jornal logo ali, na esquina. As
portas estão fechadas na rua do
comércio, como pálpebras que

cedem ao cansaço do sono de todo
domingo. E as horas marcham
esbarrando nas fachadas. Pois sim,

avisava-te, caso queiras, que te chegas-
te uma carta, avisava-te, também, que
ligaram-te três vezes. Dos livros apren-

demos apenas uns desesperos mudos
e tudo o que se guarda – embalado-
num
sussurro.

 


 

 

Conheça 4 poemas do livro Poesia LTDA, de Charles Marlon:

 

Uma pá de terra e
Um paletó e
Um nó na gravata e
Um lenço molhado
Num rosto já seco.

Um porta-retratos sem foto e
Um copo vazio e
Um ônibus cheio e
Cartão e
Ponto.

Um susto
A vida pelo fio
Do eletrocardiograma e
O soro que
Sara e
A sala e
Papéis
Cobrindo o
Balcão.

***

A pouca lenha
ainda crepita
na lareira.

A última brasa
desprende-se
e a leva a brisa.

A cinza
pousa; repousa
sobre a última página de um livro mofado.

A cadeira de balanço
(nem para lá, nem para cá): parada.
Sustenta o livro.

Um perfume
tímido e tíbio,
de talco, envolve o ar.

Na estante empoeirada
porta-retratos
com retratos amarelos. E

Na moldura que pende e depende da parede:
o banco de pedra
no asilo Saint Remy.

***

Acordar,
Com o pensamento soando em acorde,
Sem acordo.

Rumores surdos
Na calada da noite.

Uma luz vacilante e pálida
Para e dá
sombra a quem já não possui
sequer um
cipreste que se preste
a fazê-lo.

***

Quando todos
se
deitam
e o silêncio
sobres-
salta
e já
não há
um ruído nas ruas
nem nos corações
de cada quarto
nem se-
quer a voz veloz
do relógio que há
dias parou
nem a certeza
na escolha mais
des-
importante
só sei
que sou
pois con-
sumo.

***

 

 


 

 

Livro: Quarto

Autor: Charles Marlon

Gênero: Poesia

Número de Páginas: 120

Formato: 14x21

Preço: R$ 38.00 + Frete (Livro em pré-venda. Amigos e leitores que realizarem a compra antes do lançamento receberão o exemplar autografado após o evento. Imperdível!)

 

 

 

 


 

 

Livro: Re-tratos

Autor: Charles Marlon

Gênero: Poesia

Número de Páginas: 120

Formato: 14x21

Preço: R$ 38.00 + Frete

 

 

 

 


 

 

Livro: Poesia LTDA

Autor: Charles Marlon

Gênero: Poesia

ISBN: 978-85-64308-35-0

Número de Páginas: 120

Formato: 15x20

Preço: R$ 30,00 + Frete